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Copa do Mundo 2026

Neymar dá adeus à Copa em sua participação mais melancólica

Neymar chora com seu fim melancólico na seleção

Neymar dá adeus à Copa em sua participação mais melancólica
Rodolfo Buhrer/AGIF/Folhapress
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Neymar demorou a se levantar do banco de reservas. Quando finalmente foi chamado por Carlo Ancelotti, o Brasil já estava outra vez diante do precipício. A esperança de que o camisa 10 pudesse mudar o destino da seleção brasileira durou apenas alguns minutos, insuficientes para evitar a derrota por 2 a 1 diante da Noruega, neste domingo (5), em Nova Jersey, nas oitavas de final da Copa do Mundo.

Ele ainda foi responsável pelo único gol do Brasil no jogo, de pênalti, nos acréscimos.

Foi um fim melancólico para quem, durante mais de uma década, carregou a imagem de principal jogador do Brasil. Aos 34 anos, Neymar anunciou antes do Mundial que essa seria sua despedida no maior palco do futebol. "Com certeza será a última. De qualquer jeito." Ele encerrou seu quarto Mundial menos de um tempo disputado, reflexo de sua primeira participação como coadjuvante do grupo.

Entre no grupo FolhaStats Confira a tabela da Copa A despedida resumiu a forma como foi a passagem do astro no torneio na América do Norte. Convocado mesmo depois de sofrer uma lesão muscular na panturrilha direita na véspera da lista final, ele passou os primeiros dias da competição em tratamento, estreou apenas nos minutos finais da vitória sobre a Escócia e nunca esteve à altura do craque que já foi um dia.

Os 15 minutos diante dos escoceses deram fim a um hiato de 981 dias, desde outubro de 2023, quando ele havia feito seu último jogo pela seleção brasileira. Na ocasião, diante do Uruguai, pelas Eliminatórias, ele sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado anterior e no menisco do joelho esquerdo, que o deixou quase um ano sem jogar.

Depois disso, sucessivos problemas médicos também o impediram de voltar à equipe nacional, ficando de fora, sobretudo, de todo o período comandado por Ancelotti até ter sua primeira convocação já para o grupo do Mundial.

Ao longo da Copa, o italiano não deu nenhuma indicação de poderia redesenhar a equipe com o retorno do jogador, fazendo o time jogar em função dele, como ocorre com a Argentina de Messi ou Portugal de Cristiano Ronaldo, os grandes craques contemporâneos -porém 5 e 7 anos mais velhos, respectivamente- de Neymar.

Em vez disso, o italiano manteve o discurso que usou desde sua chegada à seleção brasileira, no passado, de que só utilizaria o camisa 10 quando ele estivesse em plena condição física, algo distante da realidade atual do jogador.

Nas oitavas de final contra o Japão, mesmo com o Brasil em desvantagem desde o primeiro tempo, o treinador optou por outros nomes para tentar mudar o time. Depois do confronto, argumentou que sua ideia era preservar o atacante para uma eventual disputa de prorrogação.

Mesmo com mais tempo para treinar para a partida contra a Noruega e diante da necessidade de Ancelotti de mudar a equipe com a lesão de Lucas Paquetá, Neymar não ganhou espaço entre os titulares e voltou a começar entre os reservas.

Desta vez, porém, entrou no segundo tempo, mas sem condições físicas e até mesmo técnica de mudar o desfecho do jogo, que terminou com a queda do Brasil.

Depois do episódio, a CBF mudou sua postura em relação aos problemas físicos dos atletas e passou a restringir informações sobre o grau de lesões e o tempo de recuperação devido ao mal-estar.

Mesmo com o problema detectado ainda no Rio de Janeiro, Ancelotti decidiu mantê-lo entre os 26 convocados. Publicamente, dizia que seria importante contar com o jogador mesmo que fosse a partir do mata-mata do Mundial.

Segundo o italiano, o craque brasileiro não estava conformado com a reserva, o que classificou como algo positivo. "Estou muito contente com ele. E obviamente ele quer jogar, como sempre jogou."

Nos treinamentos nos Estados Unidos, Neymar frequentemente chamava mais atenção pelos dias em que fazia trabalhos separados do grupo do que pelas atividades com bola. A recuperação evoluiu lentamente e limitou sua utilização durante toda a competição.

Na Copa de 2014, o camisa 10 liderava a equipe até sofrer a lesão que o tirou das semifinais. Em 2018, voltou de uma cirurgia para disputar o Mundial da Rússia. Em 2022, lesionou o tornozelo ainda na fase de grupos, retornou nas quartas de final, marcou contra a Croácia, mas viu o sonho do hexa acabar nos pênaltis.

Agora, quatro anos depois, o desfecho foi diferente. Não houve gol, protagonismo ou lágrimas como as que ele derramou em Doha, no Qatar. Houve apenas um último esforço, vindo do banco de reservas, incapaz de mudar uma seleção que já havia aprendido a jogar sem ele.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Luciano Trindade, Marcos Guedes e Josué Seixas | da Folhapress)
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