O Metrô planeja adotar elevadores no lugar de escadas rolantes em parte da linha 22-marrom, ramal que irá ligar o Sumaré, na zona oeste de São Paulo, às cidades de Cotia e Osasco, na região metropolitana da capital paulista.
Das 19 estações da futura linha, sete terão elevadores com capacidade para até 40 pessoas.
Outras duas, Hebraica-Rebouças e Sumaré, ambas na capital paulista, deverão contar também com escadas rolantes.
No caso da estação Sumaré, por exemplo, que deverá ter quase 70 metros de profundidade, o deslocamento por elevador é estimado em 1min13, já considerando o tempo de espera pelo equipamento. Por escadas rolantes, o percurso médio calculado é de 4min42.
"A escada rolante, em espiral nos pisos, aumenta o tempo de viagem", afirma Luiz Antonio Cortez Ferreira, gerente de planejamento do Metrô.
A mudança será feita em estações com ao menos 25 metros de profundidade.
A decisão está diretamente relacionada à geografia do traçado. "À medida que a linha se afasta dos vales dos rios Pinheiros e Tietê, o terreno se torna mais irregular, exigindo estações mais profundas", diz o Metrô.
Outra justificativa é a economia de energia, que deve ser 90% menor com o uso de elevadores.
As portas abrirão dos dois lados em estações de maior demanda.
Em um dos desenhos do projeto a que a reportagem teve acesso, da estação Sumaré, há 16 elevadores lado a lado, em grupos de quatro, dispostos em um círculo. Isso, afirma o Metrô, ajuda a distribuir melhor o fluxo de pessoas.
Os equipamentos farão ligação direta do mezanino à plataforma de embarque ou desembarque. Mas poderão parar nos demais pisos em caso de pane.
Todas essas estações terão escadas como alternativa se os elevadores quebrarem ou falta de energia.
Segundo o gerente de planejamento, em estações como Pinheiros e Luz, da linha 4-amarela, são formadas filas de pessoas que preferem usar os elevadores disponíveis do que encarar as escadas rolantes, devido às distâncias.
No caso da Pinheiros, que faz conexão com a linha 9-esmeralda do trem metropolitano, são mais de 30 escadas rolantes espalhadas pelos seis níveis da estação.
"São estações de baixa demanda", diz Ferreira. Segundo ele, o Metrô foi conservador na escolha dos locais.
"Não daria para fazer isso na linha 3-vermelha, por exemplo", afirma, citando o ramal que no último mês de março teve mais de 1 milhão de embarques médios por dia, de segunda a sexta-feira. Na linha 22-marrom são esperadas 650 mil pessoas diariamente.
Conforme o gerente, a estatal analisou modelos adotados em metrôs de Barcelona, na Espanha, e de Nápoli, na Itália.
Os elevadores da linha 22 terão capacidade para 14, 33 e 40 passageiros. "Sempre vai ter um abrindo a porta", diz.
A linha 22-marrom está na fase de contratação do projeto básico. A realização das primeiras sondagens começaram no dia 1º de junho, em Cotia.
Não há prazo para o ramal ficar pronto, mas se sair do papel, deve começar a operar em ao menos dez anos.
Totalmente subterrânea, a linha 22 deverá ter cerca de 29 quilômetros de extensão e 19 estações, conectando Cotia e Osasco à estação Sumaré, com conexão à linha 2-verde.
Entre outros, vai passar pela USP (Universidade de São Paulo) —terá estações na praça do Relógio e no Hospital Universitário.
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