A Polícia Civil investiga a morte da costureira boliviana Roxana Aleida Mallqui Susara, 28, sob suspeita de ter sido causada por uma agressão do companheiro na residência em que moravam, na Ponte Rasa, zona leste de São Paulo.
A agressão teria ocorrido no domingo (9). Segundo o boletim de ocorrência do caso, ela passou ao longo da semana por duas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). Na terceira unidade, foi transferida a um hospital, que identificou um traumatismo cranioencefálico. Ela morreu no local na terça-feira (18).
Conforme relatado por um agente da GCM (Guarda Civil Metropolitana) no boletim, a vítima estava grávida.
A Defensoria Pública disse ter participado da audiência de custódia para verificar a legalidade da prisão, mas afirmou que se manifesta exclusivamente no processo, que está sob sigilo.
Procurada por email e telefone nesta quarta-feira (19) sobre os atendimentos nas UPAs, a Secretaria Municipal de Saúde não se pronunciou até a publicação desta reportagem.
Amilkar confessou em depoimento ter agredido a esposa durante uma festa na casa em que moravam. Ele contou que mantinha um relacionamento com Roxana há cerca de seis meses, e que residiam em um imóvel de uma empregadora.
Segundo ele, embriagado e com raiva por supostamente ter visto a mulher conversando com um homem, desferiu socos no rosto dela. Em seguida, a empregadora os separou e levou Roxana para o quarto dela. Homens que estavam no local agrediram Amilkar e o obrigaram a sair da casa.
No dia seguinte, segundo Amilkar, Roxana lhe telefonou e disse que queria reatar o relacionamento. Ele então a levou para a UPA Vila Maria, na zona norte, onde ela teria recebido alta no mesmo dia. Depois, o casal procurou vários lugares para se abrigar, até se fixarem, na sexta-feira (14), na casa do último empregador.
Naquele momento, o homem percebeu que Roxana tinha um ferimento na cabeça e dificuldade para abrir os olhos. Ela contou que havia sido roubada na rua. No dia seguinte, sábado (15), Roxana apresentou dificuldade para respirar, e o empregador pediu um carro por aplicativo para que ela fosse até a UPA Mooca, na zona leste.
Na madrugada de domingo (16), Amilkar telefonou ao empregador e disse que a esposa havia melhorado e que poderia voltar para casa. Eles retornaram em um carro por aplicativo, mas, segundo o depoimento do empregador, ele percebeu que a mulher não estava bem.
Na manhã de domingo (16), o empregador afirmou ter visto Amilkar retirar o acesso de medicação da vítima e afirmou ter estranhado a atitude. Em seguida, o companheiro teria deixado o local, alegando que iria buscar dinheiro emprestado para comprar um objeto.
Conforme o empregador, Roxana não conseguia acordar e respirava com dificuldade.
Por volta de meio-dia de domingo (16), uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) esteve no endereço e levou Roxana para a UPA Tatuapé. Devido ao quadro de saúde, ela foi transferida para o Hospital do Tatuapé na segunda-feira (17).
No hospital, Amilkar pediu ao empregador que não avisasse a polícia e confessou a agressão. O empregador do casal então acionou a GCM. Amilkar foi preso no final da noite de segunda-feira (17), por determinação da Justiça.
Um policial civil afirmou em boletim de ocorrência ter conversado com o neurologista que atendeu Roxana no hospital. O médico relatou que a vítima se queixava de dores de cabeça e que foi constatada um traumatismo cranioencefálico, com edema cerebral difuso, hematomas pelo corpo e rebaixamento do nível de consciência.
Roxana não possui parentes de primeiro grau no país, o que pode atrasar a liberação do corpo. A prisão de Amilkar é válida por 30 dias, e ele deve permanecer na carceragem de uma delegacia durante a investigação.
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