O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (27) que as acusações contra seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, são "ilações" e que ele precisa se defender.
"São ilações, ilações e ilações tirados de telefonemas", disse Lula. "Eu conheço isso muito bem porque já vivi isso", disse, em referência aos processos da Operação Lava Jato.
Ao ser questionado sobre conversas da empresária Roberta Luchsinger, o presidente disse: "Se eu pegasse o seu celular e for investigar tudo o que você falou só tem coisas certas ou coisas corretas? O que uma pilantra pode fazer num telefone ou um cara qualquer pode fazer num telefone? Estou dizendo para você que o fato de ter pego conversa num telefone não justifica absolutamente nada".
Lula confirmou a ida à tradicional sabatina promovida pelo programa após faltar ao primeiro debate presidencial -esse realizado pela rede Bandeirantes. Sua ausência foi usada como justificativa por Flávio e Zema para também faltarem ao evento.
No momento, o presidente se vê diante de investigações que miram aliados com potencial de impacto em sua disputa pela reeleição. Como mostrou a Folha de S.Paulo, as revelações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sobre o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, colocaram a campanha em seu pior momento, segundo aliados.
A Polícia Federal investiga um suposto tráfico de influência por parte do filho mais velho do presidente. A PF o aponta como beneficiário indireto da lobista Roberta Luchsinger, que atuou na busca de contatos políticos para facilitar a venda de um medicamento junto ao governo federal.
As investigações contra Fábio Luis também apuram se o filho do presidente teria beneficiado Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, envolvido nos escândalos de desvio dos benefícios.
Já no caso de Marcola, hoje a investigação aponta que a lobista pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas do ex-assessor.
Por ora, um dos pilares da estratégia do PT sobre o caso Lulinha é dizer que a PF tem liberdade para investigar neste atual governo. A ideia é fazer uma contraposição a gestão de Jair Bolsonaro, que acumulou denúncias de interferência para proteger seus filhos, inclusive o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também disputa a Presidência neste ano.
Lula já havia defendido o prosseguimento das investigações contra seu filho. No último domingo (23), em entrevista à Record, o presidente afirmou que "ninguém está acima da lei", ao responder sobre o caso, e que o filho precisa se defender. O presidente voltou a afirmar que a PF tem independência para investigar Lulinha.
Em entrevista anterior a essa, ao podcast Não Inviabilize, Lula chegou a dizer "não saber a verdade" sobre o caso que envolve seu filho.
"Só ele sabe a verdade. Só ele. Eu não sei a verdade. Ele sabe se fez ou não fez. Ele jura que não fez. Se não fez, então brigue", afirmou o petista. "Se meu filho tiver culpa, ele pagará. Agora, ele já foi acusado de muitas coisas. Toda eleição aparece o meu filho", disse. O petista também declarou ter instruído os advogados a não pedir o "fechamento" dos processos.
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