O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmou nesta quinta-feira (20), durante almoço com empresários na Mooca, zona leste de São Paulo, que olha com nojo para o STF (Supremo Tribunal Federal) e que Lula, se reeleito, indicará mais quatro ministros que irão perseguir a população.
Flávio também disse que quer entrar para a história, nem que seja como "um presidente de transição". "O Brasil precisa atravessar um mar revolto nesse momento."
Ele estava em um palco ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Flávio disse, ainda, que "as coisas acontecem de forma impune" no STF e afirmou que a única perspectiva de mudança passa pela mudança do presidente e da bancada de senadores. Voltou a dizer que, se eleito, se compromete a indicar quatro nomes para a Corte, entre homens e mulheres, que cumprirão a Constituição.
Aos empresários presentes, em geral comerciantes da zona leste, o filho de Jair Bolsonaro (PL) prometeu reduzir a carga tributária e disse que já sentiu na pele o que é ser lojista. Segundo ele, o aluguel "é caro para caramba" e margem de lucro é pequena.
Flávio foi sócio de uma franquia da Kopenhagen que, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, foi utilizada para lavar até R$ 1,6 milhão do esquema da "rachadinha" - recolhimento de salários que teria ocorrido em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio.
O senador sempre negou irregularidades e, em 2021, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou todas as decisões tomadas pela Justiça do Rio de Janeiro por entender que o caso não poderia ter corrido na primeira instância devido ao foro privilegiado.
Em sua fala, Tarcísio afirmou que a candidatura de Flávio é a oportunidade de resgatar a esperança no Brasil. Já Nunes cobrou de deputados estaduais e federais da coligação que usem no material de campanha o número de urna de Tarcísio e de Flávio. "Estou guardando todo santinho que não tem", afirmou.
Flávio cumprimentou e tirou fotos com apoiadores. Ao lado do prefeito, levantou uma peça de picanha, em uma crítica a Lula, que usou como mote de sua campanha eleitoral em 2022 a promessa de que o povo iria voltar a comer a carne.
Perguntado sobre a prestação de contas do filme "Dark Horse", que recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, Flávio afirmou que o material já foi vazado e que "estava tudo certinho". Foi o senador quem negociou com o banqueiro o investimento.
Em maio, Flávio disse que havia pedido à produtora Go Up a apresentação de uma prestação de contas transparente, e afirmou que estava "100% disposto" a tornar público o contrato do filme com Vorcaro.
Os repasses do banqueiro estão sob investigação da PF (Polícia Federal), que apura se houve irregularidades nos pagamentos.
Em um dos cartazes, o filho de Jair Bolsonaro (PL) apareceu como "Wally" (de "Onde está Wally?"), com a pergunta "Onde estão os R$ 61 milhões?", em referência ao pagamento de Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme Dark Horse.
A maioria dos cartazes, porém, era contra o governador, com acusações de que ele estaria destruindo o estado e queixas sobre violência policial. Tarcísio não compareceu à agenda da manhã.
Comentários: