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Homem picado por cobra diz ter recebido 20 doses de soro errado

Leandro Nascimento com a esposa, Fabiana, no hospital, após ele ser picado por uma cobra identificada erroneamente pela equipe da unidade

Homem picado por cobra diz ter recebido 20 doses de soro errado
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Picado por uma cobra em Eldorado (SP), um servidor público de 46 anos afirma ter recebido 20 doses de soro para a espécie errada. A família recorreu ao Instituto Butantan para identificar o animal e tentar salvar sua vida.

Leandro Marques do Nascimento foi picado por uma cobra no dia 7 de março, enquanto pescava com a esposa, Fabiana, no Salto da Usina, em Eldorado. O casal passava por uma trilha quando ele sentiu uma forte queimação na perna e percebeu o sangramento. Num primeiro momento, pensou que pudesse ter se ferido em um galho ou espinho, mas a dor aumentou rapidamente.

Mesmo ferido, ele voltou pelo caminho, encontrou a cobra e a fotografou com o celular. Nascimento conta que, ao chegar ao Pronto Atendimento da Santa Casa de Eldorado, apresentou a imagem para ajudar os médicos a identificar a espécie.

O servidor diz que confiou no diagnóstico inicial e recebeu 10 doses de soro para cascavel. "Confiei nos médicos", afirmou. Na mesma noite, ele foi transferido para um hospital em Pariquera-Açu.

No Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua, ele recebeu duas doses de soro para tratar envenenamento por jararacuçu, após a equipe entrar em contato com a Santa Casa de Eldorado. Uma funcionária teria confundido o prontuário e informado que ele havia sido tratado como vítima de jararacuçu. "Isso salvou a minha vida, porque reduziu um pouco dos sintomas", disse.

Tratamento para cascavel, no entanto, foi retomado após consulta ao prontuário. O servidor apresentou melhora inicial, mas o quadro voltou a se complicar no dia seguinte. Segundo Leandro, o médico de plantão verificou o registro de dez doses para cascavel e determinou a aplicação de mais dez doses de soro antiofídico para essa espécie

A família decidiu contatar o Instituto Butantan entre o segundo e o terceiro dia de internação. Os sintomas já não batiam com o diagnóstico inicial, e o quadro de Nascimento se agravava.

Butantan apontou que a cobra era uma jararacuçu, e não uma cascavel. A resposta do instituto foi enviada por WhatsApp após análise da imagem do animal e dos sintomas relatados.

Jararacuçu e cascavel provocam quadros diferentes, segundo o Instituto Butantan. Acidentes botrópicos, como os causados por jararacuçu, tendem a provocar dor intensa, inchaço, sangramentos e lesão importante no local da picada. Já os acidentes crotálicos, provocados por cascavel, costumam ter pouca alteração local e sintomas mais neurológicos e musculares, como visão turva ou dupla, queda das pálpebras, dores no corpo e urina escura.

O servidor conta que temeu morrer quando o quadro se agravou. "Foi nesse momento que veio o medo real de morrer", afirmou. Segundo o servidor, a melhora começou a surgir somente após a identificação da cobra e a substituição do soro aplicado. Ele recebeu alta no dia 6 de abril, mas diz que dores constantes e limitações motoras ainda afetam a rotina, o trabalho e a vida familiar.

Nascimento formalizou o caso em boletim de ocorrência após a internação e o agravamento do quadro. No registro feito na Polícia Civil, ele relata a sequência do atendimento desde a picada, a administração do soro para cascavel, a piora clínica e a identificação posterior da cobra como jararacuçu após contato da família com o Instituto Butantan.

O servidor diz que agora espera esclarecimento, investigação e eventual responsabilização pelo que ocorreu. Segundo ele, a prioridade é entender se houve erro na identificação da cobra e na conduta adotada no atendimento inicial. "Espero esclarecimento completo dos fatos, investigação séria e, se for o caso, responsabilização adequada", afirmou.

Nascimento também diz que quer evitar que outras pessoas passem pela mesma situação. "Mas acima de tudo, espero que esse caso sirva de alerta para que outras pessoas não passem pelo mesmo risco que eu passei", completou.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Maurício Businari | da Folhapress)
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