Aliados do governo Lula (PT) protestaram nas redes sociais contra a rejeição de Jorge Messias a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). O advogado-geral da União havia sido indicado por Lula.
Em votação secreta, 42 senadores manifestaram-se contra a indicação de Lula - 34 foram a favor. Trata-se de derrota histórica para o governo: faz 132 anos que um postulante ao cargo não é reprovado.
Na rede social X, o ministro da Secretaria-Geral do governo, Guilherme Boulos (PSOL), escreveu que "a aliança entre bolsonarismo e chantagem política venceu na rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF. O Senado sai menor desse episódio lamentável."
Também em vídeo, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) reagiu à derrota no Senado, lembrando o mote "Congresso Inimigo do Povo". Incitando mobilização social aos moldes da PEC da Blindagem, Farias disse que o Senado terá de se explicar por ter reprovado um dos nomes mais capacitados no país para ocupar o cargo.
"É hora de a gente levantar a cabeça com dignidade e defender esse projeto, que é liderado pelo nosso presidente Lula, que é um projeto de inclusão do povo trabalhador, dos mais pobres do nosso país." Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que a rejeição de Messias atenta contra uma prerrogativa do presidente.
"Este episódio é o sintoma de uma crise profunda: o Parlamento hoje prioriza interesses próprios em vez da Constituição. Não basta ter um governo democrático; precisamos de um Congresso que também defenda a democracia."
Ex-ministra de Lula e pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT) afirmou que a decisão do Senado foi injusta, porque privou o país de ter uma pessoa qualificada no Supremo.
Segundo ela, a derrota do governo foi resultado de um "grande acordão" feito por pessoas que temem investigações de escândalos financeiros e contra o crime organizado.
Feghali disse ainda que o episódio gera uma crise entre os poderes da República: "Esse gesto gera um tensionamento entre os poderes da República com o objetivo de levar o Brasil para uma crise institucional, na qual interesses particulares se sobrepõem ao interesse maior da nação."
Na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Messias havia sido aprovado por 16 votos a 11, após cerca de oito horas de sabatina, no placar mais apertado desde a redemocratização.
A derrubada de Messias foi patrocinada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ele defendia a escolha de seu aliado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o STF e dificultou a aprovação do advogado-geral da União. Messias concorria à vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro do ano passado.
A pressão de Alcolumbre abriu um embate entre o Senado e Lula. O presidente da República contrariou o parlamentar e insistiu na escolha de um nome de sua confiança - o chefe da AGU (Advocacia-Geral da União) trabalhou para a ex-presidente Dilma Rousseff e tem proximidade com o PT.
Minutos depois da reprovação, o deputado federal Ivan Valente (PSOL) escreveu, também no X, que a direita aposta no caos e que a sabatina no Senado deveria servir apenas para uma confirmação. "A indicação ao STF é prerrogativa do presidente da República, a aprovação pelo Senado deveria ser uma formalidade. A direita aposta no caos e no confronto", escreveu Valente.
Em contraste, o deputado André Janones (PT) minimizou o episódio ocorrido, afirmando que a população não estaria preocupada com vagas no STF. Assim sendo, não haveria relação entre a rejeição de Messias e as eleições deste ano.
O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) especulou os próximos passos. Segundo ele, uma nova indicação, de alguém ligado ao centrão, seria a confirmação da derrota. Braga pediu a indicação de uma jurista negra, para transformar a derrota em vitória.
"Se Lula indicar uma jurista negra com uma trajetória inegável em defesa da classe trabalhadora, ganhamos a batalha pública. O Congresso inimigo do povo quer briga? Pra cima deles!"
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