O MEC (Ministério da Educação) abre nesta terça-feira (3) as inscrições do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) do primeiro semestre de 2026.
O programa do governo federal oferece financiamento com juros zero para estudantes com renda familiar de até três salários mínimos por pessoa. O pagamento do valor financiado tem início após a conclusão do curso, com parcelas ajustadas à renda do aluno.
Para se inscrever no Fies, os interessados devem acessar o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior até a próxima sexta-feira (6). O resultado do processo será divulgado no dia 19 de fevereiro.
Metade das vagas será reservada para candidatos do Fies Social. Para participar dessa faixa de benefício, o estudante deve ter renda familiar de até meio salário mínimo (R$ 810,50) e ser inscrito no CadÚnico (cadastro único dos programas sociais do governo federal).
Antes de contratar o Fies
Para auxiliar os candidatos interessados em participar do programa, a reportagem conversou com Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, que reuniu dicas antes da decisão.
Considere propósito e potencial do curso
Antes de recorrer ao financiamento estudantil, a principal avaliação não está nos números, mas no propósito. De acordo com a Inhasz, o estudante precisa refletir se o curso escolhido está alinhado ao seu projeto de vida e às metas profissionais de longo prazo.
"Não adianta financiar um curso qualquer. Se eu queria engenharia e passei para pedagogia, mas não é o meu plano de vida, talvez eu tenha que repensar essa escolha para conseguir aproveitar o financiamento", orienta a economista.
Outros fatores devem pesar na escolha. Entre eles, a empregabilidade e a demanda do mercado de trabalho, as perspectivas salariais da profissão, além da taxa de evasão e da qualidade do curso na universidade escolhida.
Pesquise e faça simulações
Um dos erros comuns entre os candidatos é concentrar a decisão apenas na vantagem imediata de não pagar a mensalidade durante o curso. Inhasz alerta que é fundamental analisar o valor total da dívida e o prazo de quitação. Mesmo nas modalidades com juros subsidiados, o custo final do financiamento tende a crescer ao longo do tempo.
Diante desse cenário, a recomendação é objetiva: fazer simulações antes de assinar o contrato.
Uma dica é evitar, sempre que possível, financiar 100% do valor. De acordo com a professora, o financiamento total impõe um "estresse financeiro muito grande" logo após a formatura.
Atenção às condições de financiamento
No momento da assinatura, o cuidado deve ser redobrado. A professora do Insper ressalta que a leitura atenta do contrato é indispensável, especialmente das cláusulas que costumam passar despercebidas pelos estudantes.
- início da amortização da dívida
- penalidades em caso de atraso
- condições para eventual renegociação
"Pode parecer óbvio, mas muita gente simplesmente ignora essas informações e assina sem analisar. Não se trata de deixar de contratar por causa das multas ou dos encargos, mas de ter plena consciência do compromisso assumido", afirma.
Compromisso a longo prazo
Um outro ponto de atenção é imaginar que o compromisso com o Fies termina após a matrícula. O financiamento exige acompanhamento contínuo ao longo de toda a graduação.
Alterações na renda familiar, o trancamento do curso ou a decisão de mudar de instituição, ou de área de formação, implicam ajustes contratuais que precisam ser feitos de forma imediata para evitar irregularidades e acúmulo de pendências.
"Quando o estudante conhece as regras e monitora o financiamento ao longo do tempo, consegue evitar problemas lá na frente."
Calendário Fies 2026 - 1º semestre
- Período de inscrições: até 6 de fevereiro
- Resultado da pré-seleção: 19 de fevereiro
- Complementação da inscrição: 20 a 24 de fevereiro
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