A ministra do Planejamento, Simone Tebet, filiou-se ao PSB na noite desta sexta-feira (27) para disputar o Senado por São Paulo na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) ao governo paulista e defendeu que o vice-presidente Geraldo Alckmin, agora companheiro de partido, tente a reeleição junto do presidente Lula (PT).
"Eu defendo hoje que o vice-presidente continue, que em time que está ganhando não se mexe, na vaga de vice-presidente, de pré-candidato a vice-presidente da República, ao lado do presidente Lula", declarou Tebet a jornalistas após o evento.
A cerimônia de filiação ocorreu na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), na zona sul da capital, e foi acompanhada por quadros tradicionais do partido, incluindo Alckmin, o ministro Márcio França (Empreendedorismo) e a deputada federal Tabata Amaral. O petista José Dirceu também compareceu.
"Tenho uma visão progressista em relação aos direitos humanos e não abro mão disso. Eu sou mais liberal na economia, então talvez esse balanço, esse equilíbrio, possa ajudar não só o partido, a legenda, mas essa frente ampla que nós queremos."
Ela acrescentou que o partido deseja ter a vice de Haddad na disputa ao governo paulista, mas que as conversas ainda estão em andamento.
Durante o seu discurso, Tebet declarou que teve a infelicidade de ser senadora durante um período de retrocessos do governo do "pior, o mais insensível presidente da história deste país, que é Jair Messias Bolsonaro".
A ministra agradeceu a Alckmin por tê-la levado ao partido e ao estado. "Meu nome está à disposição para o Senado", afirmou.
"São Paulo tem um governo absolutamente ingrato. Se hoje tem caixa no governo de São Paulo, é porque tem presidente da República que não olha coloração partidária", disse ela.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste mês, em um cenário no qual Alckmin também disputa o Senado, Tebet aparece com 25% das intenções de voto à casa legislativa, atrás apenas do vice-presidente, com 31%.
Tebet era filiada ao MDB desde 1997, mas como o partido apoia a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estado, a troca de domicílio também exigiu que ela migrasse para outra sigla.
Ao longo do evento, as falas se voltaram para as eleições de 2022 e a defesa da democracia.
"O presidente Lula salvou a democracia no Brasil. Se eles [do governo Bolsonaro], perdendo as eleições, tentaram dar um golpe, imagina vencendo?", disse Alckmin em seu discurso.
Tabata fez um discurso duro contra Bolsonaro, alegando que o ex-presidente só foi derrotado graças a Alckmin e Tebet, que apoiaram a chapa de Lula naquelas eleições -a ministra declarou apoio ao petista no segundo turno.
"Esse projeto autoritário foi derrotado. E isso só foi possível porque duas pessoas, no tempo certo, tiveram a coragem de se colocar a serviço do país", disse Tabata. "Sem a firmeza, a coragem, o compromisso democrático e sem a decisão de colocar o Brasil acima de qualquer projeto pessoal, a história teria sido outra. Essas duas lideranças que ajudaram a salvar a nossa democracia estão agora no mesmo partido", acrescentou.
"Vamos seguir com o vice-presidente Geraldo Alckmin liderando nosso país ao lado do presidente Lula", disse Tabata.
CHAPA LULISTA
Márcio França, que inicialmente havia se colocado como pré-candidato ao governo, tem dito a aliados que busca pleitear para si a candidatura a senador. O Painel mostrou que Lula estuda oferecer a ele o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, hoje comandado por Alckmin, para tirar o ministro das eleições e consolidar o palanque no estado.
Questionada se preferiria que a outra vaga ao Senado fosse disputada por uma mulher ou por um companheiro de partido, Tebet respondeu: "Eu prefiro mulher em todos os lugares, espaços de poder, mas a gente sabe que entre o ideal e o possível, a gente tem que ficar com o possível".
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