O Senado Federal separou, nesta terça-feira (3), a proposta de reduzir a maioridade penal do texto da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, que amplia o papel do governo federal na área.
Os senadores aprovaram dois requerimentos, por 38 a 36 votos, para que as emendas apresentadas pelo PL e pelo PT para reduzir a maioridade penal sejam transformadas em propostas próprias em vez de serem incluídas na PEC da Segurança.
O texto da PEC ainda será votado. São necessários os votos de 49 de 81 senadores.
A oposição tentava incluir na PEC a redução da maioridade penal, ponto de maior polêmica na votação.
O PL chegou a apresentar um destaque para que esse trecho fosse votado separadamente, mas o relator da PEC, o governista Rogério Carvalho (PT-SE), propôs em seu parecer que as duas emendas (da oposição e do governo) sobre redução da maioridade passassem a tramitar como propostas autônomas, ou seja, como PECs paralelas.
Com isso, a votação separada do destaque foi prejudicada, o que gerou reclamação da oposição. Para viabilizar a tramitação separada da redução da maioridade penal, o plenário aprovou os dois requerimentos --um para que cada emenda seja transformada em uma proposta própria. Os requerimentos exigiam maioria simples.
O texto apresentado pelo PL prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, chegando a 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organização ou associação criminosa.
Como mostrou a Folha, a estratégia do governo Lula foi separar os dois temas, ou seja, preservar o texto da PEC sem a questão da maioridade, tal qual aprovado na Câmara, e tratar da redução da maioridade em outra PEC própria.
"A inclusão dessas matérias novas na PEC diretamente em plenário implicaria o indesejado retorno da proposição à Câmara dos Deputados. Isso impediria a promulgação imediata e atrasaria o atendimento de necessidades inadiáveis da população brasileira, que clama por mais segurança pública", disse o relator.
A aprovação da PEC e a criação do Ministério da Segurança fazem parte da estratégia do governo Lula de ampliar seu protagonismo na área e responder às críticas sobre sua atuação no enfrentamento ao crime organizado.
Ao longo deste ano, o governo buscou consolidar uma marca própria na segurança pública. Entre as iniciativas adotadas esteve o lançamento do Programa Brasil contra o Crime Organizado, voltado a fortalecer as ações de combate às organizações criminosas.
A estratégia também se refletiu no discurso de Lula, que adotou um tom mais duro em relação à criminalidade durante a campanha eleitoral. No segundo turno, o petista passou a usar o slogan "Para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, prisão", em uma tentativa de reforçar sua posição na área.
Na prática, a proposta busca constitucionalizar o Susp (Sistema Único de Segurança Pública), que hoje está previsto em lei, definir melhor as competências dos diferentes entes federativos e órgãos policiais e criar mecanismos permanentes de integração.
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em março, mas estacionou ao chegar no Senado, embora fosse considerada uma prioridade para o governo Lula, principalmente no contexto eleitoral.
Em resposta ao PL, o senador governista Camilo Santana (PT-CE) também apresentou uma emenda para a redução da maioridade penal, mas em termos mais brandos do que o proposto pela oposição. A ideia foi tentar evitar o desgaste de Lula durante a campanha, já que o tema tem apoio popular.
A emenda de Camilo propunha redução para 16 anos somente em casos de crimes hediondos, se concentrando, portanto, em crimes de maior gravidade, como assassinato ou emprego de violência, e excluindo o tráfico de drogas.
Diante da celeuma, Alcolumbre retirou a PEC da pauta de votação, em mais um movimento que acabou favorecendo o governo, já que adiou o tema espinhoso para depois da eleição.
Nesta terça, a emenda de Camilo, assim como as demais, foram rejeitadas pelo relator da PEC, mas o PL apresentou um destaque para que a sua emenda de redução da maioridade fosse analisada separadamente.
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