Após receber o diagnóstico de câncer de próstata, em 2019, Antônio César Ramella, 74, passou por uma cirurgia para retirar a glândula. O procedimento eliminou o tumor, mas comprometeu sua ereção. Durante seis anos, ele tentou diferentes tratamentos, mas nenhum resolveu.
O aposentado decidiu então procurar uma solução cirúrgica. Em maio de 2025, implantou uma prótese peniana para recuperar a vida sexual. "Em 2019, foi o fundo do poço. Até 2025, não estava podendo fazer nada, porque nenhum tratamento resolveu. Mas depois da prótese, brinco com os médicos que eles me deram uma vida nova", diz Antônio.
Próteses penianas são opções para homens que apresentam disfunção erétil após cirurgia de retirada do câncer de próstata, o segundo tumor mais frequente na população masculina, atrás apenas do câncer de pele não melanoma, de acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer).
A disfunção erétil é uma possível sequela dos tratamentos do câncer de próstata, como cirurgias e radioterapia. Isso ocorre porque esses procedimentos são muito próximos dos nervos responsáveis pela ereção. Outros efeitos incluem infertilidade e redução da libido.
Segundo o urologista Gustavo Marquesine, coordenador do departamento de andrologia, reprodução e sexualidade da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), o risco de disfunção erétil pode variar de 80% a 85% na cirurgia convencional e de 40% a 50% na cirurgia robótica.
"Quando se realiza uma cirurgia próxima ao nervo, pode ocorrer uma lesão parcial, que pode ser temporária e levar de seis meses a dois anos para se recuperar. Em alguns casos, porém, a lesão pode ser permanente, comprometendo definitivamente o funcionamento do nervo", diz Marquesine.
Durante o período de recuperação após a cirurgia de retirada da próstata, o médico pode recomendar alguns tratamentos para tentar recuperar a ereção natural, como medicamentos, dispositivos a vácuo ou injeções intracavernosas.
"Num período de até dois anos após a cirurgia do câncer da próstata, pode acontecer uma regeneração do nervo e a ereção pode voltar a acontecer", afirma Marquesine.
"A prótese não é para fins estéticos ou para melhorar a performance, como aumentar o tamanho do pênis ou ter uma ereção melhor", explica o urologista Pedro Zandoná, especialista em andrologia.
"Ela é indicada para pacientes com disfunção erétil grave, que não apresentam resposta satisfatória aos medicamentos orais e que também não respondem às injeções para ereção ou não se adaptam a esse método."
A indicação, portanto, exige cautela. A inserção do implante altera estruturas responsáveis pela ereção natural e pode causar danos irreversíveis ao tecido erétil, mesmo que a prótese seja retirada.
"É muito importante que seja um procedimento em um paciente que realmente precise. Se o paciente pensar: 'Ah, não gostei disso, quero tirar a prótese', você danificou o tecido da ereção. Você criou um túnel ali dentro que nunca vai se recuperar como era antes da prótese", afirma Zandoná.
A prótese maleável é formada por hastes com estrutura interna que permite manter a rigidez e, ao mesmo tempo, posicionar o pênis manualmente, para cima ou para baixo. Esse dispositivo mantém o pênis ereto permanentemente, mesmo quando não há intenção de ter relação sexual.
"Como o dispositivo não fica flácido, o paciente precisa aprender a acomodá-lo sob a roupa e a lidar com essa característica no dia a dia. Ele também vai precisar ajustar a posição do pênis para urinar, já que ele permanece rígido", diz Zandoná.
Quando deseja ter uma ereção, o paciente aciona a bomba, que transfere o líquido do reservatório para os cilindros e produz a rigidez. Depois da relação, um mecanismo permite esvaziar o dispositivo, deixando o pênis em estado flácido.
Por permitir controlar a ereção, o modelo inflável oferece uma aparência mais próxima da alternância entre os estados flácido e ereto. "Ele tem essa grande vantagem de ser bem mais ocultável. Você não fica o dia inteiro com um pênis ereto. Quando quiser usar, basta simplesmente ativar a bombinha", explica Zandoná.
A alta hospitalar pode ocorrer no mesmo dia ou no seguinte, conforme a evolução do paciente.
A recuperação exige um período sem relações sexuais e sem uso do dispositivo. Em geral, a atividade sexual é liberada após pelo menos 30 dias, de acordo com a cicatrização e a orientação do cirurgião.
Somados os gastos com hospital, anestesia, equipe médica e procedimento, o valor total da versão maleável pode chegar a cerca de R$ 150 mil, segundo Marquesine.
Para Antônio, a possibilidade de voltar a ter relações sexuais pesou na decisão. Ele conta que escolheu o modelo inflável após pesquisar as alternativas e conversar com os médicos.
Segundo ele, o procedimento permitiu retomar uma vida sexual que julgava perdida. "Fiquei seis anos sem ter relação sexual, mas agora voltei à vida normal."
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