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Roblox concentra série de conflitos que expõem riscos a crianças

Protestos de crianças contra restrições impostas pelo Roblox

Roblox concentra série de conflitos que expõem riscos a crianças
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Popular entre crianças e adolescentes, o Roblox concentra uma sequência de episódios que incluem cyberbullying, assédio, denúncias de aliciamento sexual, circulação de conteúdos impróprios e falhas nos mecanismos de moderação.

A plataforma chamou a atenção nesta semana após ser tomada por protestos virtuais depois do anúncio de restrições de idade no chat para usuários. A empresa passou a exigir verificação de idade por reconhecimento facial e a restringir a conversa entre usuários de faixas etárias diferentes.

Relatos de usuários, especialistas e organizações de defesa da infância indicam que esses episódios não são isolados e expõem os riscos de um ambiente digital que combina características de jogo e de rede social.

Em nota, a empresa declarou estar "comprometida em liderar a segurança digital" e disse manter políticas rigorosas para proteger crianças e adolescentes. A companhia acrescentou que, "embora nenhum sistema seja perfeito", continua investindo em ferramentas de proteção e monitoramento.

Criado inicialmente como uma plataforma de jogos online, o Roblox reúne hoje dezenas de milhares de experiências desenvolvidas por usuários e permite intensa interação entre jogadores por meio de chats e ambientes virtuais compartilhados.

Nos Estados Unidos, a plataforma se tornou alvo de ações judiciais e investigações relacionadas à segurança de crianças na plataforma.

Em 2024, a Justiça federal americana determinou a centralização de dezenas de processos movidos por famílias que alegam casos de aliciamento e exploração sexual iniciados dentro do jogo.

Modelo da plataforma

A estrutura do Roblox, na avaliação de especialistas, aproxima o serviço mais de uma rede social do que de um jogo tradicional. Rodrigo Nejm, especialista em educação digital e líder do eixo digital do Instituto Alana, compara a plataforma a um "parque de diversões digital".

Nesse ambiente, um dos problemas mais recorrentes envolve práticas de violência psicológica. Há relatos frequentes de humilhações, xingamentos, perseguições virtuais e episódios reiterados de cyberbullying entre crianças.

Para Nejm, esse tipo de comportamento não pode ser minimizado. "Essas agressões não são menos graves por acontecerem online. Elas têm impacto direto sobre a saúde mental de crianças e adolescentes."

Para o Instituto Alana, a presença desse conteúdo indica fragilidades nos processos de moderação e na classificação das experiências acessíveis ao público infantil.

O Roblox afirma que não permite o compartilhamento de imagens ou vídeos no chat e utiliza filtros de texto para impedir o envio de informações pessoais e tentativas de migração de conversas para outras plataformas.

Apesar dessas medidas, outro ponto de preocupação envolve tentativas de aliciamento sexual, com adultos se passando por crianças para se aproximar de menores de 18 anos.

Em alguns casos, as interações começam dentro do ambiente virtual e são transferidas para aplicativos externos, onde há menor controle. Sob o ponto de vista jurídico, essas condutas podem ter consequências criminais e civis.

"O fato de ocorrer em um ambiente virtual ou dentro de um jogo não afasta a ilicitude dessas práticas."

Além da responsabilização individual dos autores, pode haver responsabilização civil da empresa.

O próprio Roblox reconhece que usuários "mal-intencionados" podem tentar transferir interações para fora do serviço, em ambientes com políticas de moderação menos restritivas.

A empresa diz atuar para prevenir esse tipo de prática, mas sustenta que o problema extrapola a plataforma e exige colaboração de governos e de toda a indústria.

Ainda assim, especialistas avaliam que há um desequilíbrio nas prioridades do serviço.

Nejm observa que, embora existam ferramentas de controle parental, elas são menos intuitivas e menos robustas do que os mecanismos voltados ao engajamento e ao consumo dentro do ambiente digital.

"Há um investimento muito maior em manter crianças conectadas e consumindo do que em protegê-las."

Para Nejm e Santos, reações desse tipo são comuns quando plataformas alteram normas em ambientes com alto engajamento infantil.

A empresa diz oferecer controles parentais que permitem limitar tempo de uso, gastos e interações para usuários menores de 13 anos. Afirma ainda que incentiva pais e responsáveis a conversar com os filhos sobre segurança na internet e a acompanhar o uso da plataforma, além de disponibilizar um centro de segurança com orientações às famílias.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet
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