O PT defenderá, em resolução política, a ideia de mandatos para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A proposta vem como resposta ao diagnóstico do próprio partido de que a campanha à reeleição do presidente Lula (PT) está em risco diante da crise sem precedentes na corte.
O tema já aparecia em discussões internas do partido, mas ainda não havia sido endossado pela cúpula da legenda.
A direção do partido tomou a decisão em uma reunião nesta quinta-feira (10), parte de um esforço para tentar retomar a iniciativa na campanha eleitoral. Dirigentes petistas avaliaram que Lula corre risco real de perder a eleição para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que vem crescendo nas pesquisas de intenção de voto.
O partido também começou a discutir uma reformulação nos órgãos de controle do Judiciário e do Ministério Público, de acordo com o presidente da legenda e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva. Ele falou a jornalistas depois da reunião da cúpula da legenda.
"Estamos falando de ampliação do CNMP [Conselho Nacional do Ministério Público], ampliação do CNJ [Conselho Nacional de Justiça], para que a sociedade civil tenha mais assentos nos órgãos que fiscalizam. E também a questão de mandatos para as cortes", declarou Edinho.
Não haveria ainda uma proposta, por exemplo, com o tempo dos mandatos. "É abrir o debate de mandatos, nós não detalhamos", disse Edinho.
A possibilidade de instituir mandatos para o STF foi, meses atrás, mencionada pelo próprio Lula em declaração pública. "Não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75 anos. É muito tempo. Então, acho que pode ter um mandato", declarou o petista em fevereiro.
A crise no Supremo se agravou depois de o ministro André Mendonça tirar, na semana passada, o sigilo de informações da investigação sobre a relação entre Alexandre de Moraes e o antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A avaliação de petistas é que Lula sofre desgaste porque, como é presidente, tende a ser responsabilizado pelo eleitorado mesmo por ações que não são suas. Além disso, o chefe do governo cultivou uma relação de proximidade com o STF ao longo do atual mandato, inclusive com Moraes.
Na reunião desta quinta, petistas discutiram formas de retomar a iniciativa na campanha presidencial. Em conversas reservadas, integrantes do partido avaliaram, ao longo dos últimos dias, que Lula estava na defensiva havia muito tempo.
A cúpula do partido ouviu, de participantes da reunião, reclamações sobre a demora na entrega de material da campanha de Lula nos estados. Na conversa com jornalistas, Edinho admitiu que houve um erro nesse planejamento.
"Uma campanha do tamanho dessas, é evidente que tem erro. Planejou mal a elaboração de material", declarou o presidente do PT. Ele disse que a ideia de descentralizar a produção nos estados não funcionou, por exemplo, porque nem todas as gráficas têm estrutura suficiente. "Trouxemos de volta a produção desses materiais para os grandes centros", afirmou.
Edinho afirmou que um dos focos deverá ser a segurança pública. Além disso, na reunião, houve uma indicação para que os integrantes do partido defendessem reiteradamente o fim do sigilo do inquérito do Banco Master.
Aliados de Lula apostam que informações dessa investigação poderiam causar desgaste a Flávio Bolsonaro. A esperança é alimentada por um áudio, divulgado em maio, em que o bolsonarista pede dinheiro a Vorcaro para concluir o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro.
"O momento que o país está vivendo exige uma ação muito efetiva por parte do Supremo Tribunal Federal para reestabelecer até mesmo o respeito institucional pelo Supremo. Para isso, o Fachin não tem outra saída a não ser determinar a abertura completa do sigilo de todas essas investigações. INSS, Banco Master, tudo. Se necessário, inclusive do inquérito das fake news", disse o líder do governo na Câmara e candidato a senador Paulo Pimenta (PT-RS).
Outros integrantes da legenda falaram em radicalizar a campanha, no sentido de fazer uma disputa política mais acirrada com o bolsonarismo, respondendo com mais agilidade os ataques dos adversários.
A linha a que Guimarães se refere é a "linha política", como se diz no jargão. Trata-se de oferecer uma linha de argumentação para os aliados propagarem quando há um acontecimento relevante. Petistas e integrantes de outros partidos que apoiam Lula têm reclamado de uma demora para que esse tipo de orientação seja dado.
O momento atual tem gerado inquietação entre aliados históricos, como movimentos sociais, sindicatos e partidos do chamado campo progressista. Eles se queixam de apatia e reivindicam maior participação na campanha de Lula, em patamar semelhante ao papel que desempenharam na campanha vitoriosa de 2022.
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