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Mulher tenta impedir violência sexual contra a filha e é morta

Caso é investigado pela Polícia Civil do Rio

Mulher tenta impedir violência sexual contra a filha e é morta
Divulgação PCERJ
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Uma moradora de Japeri, na Baixada Fluminense, morreu nesta semana depois de ser espancada pelo companheiro dentro de casa. O crime é investigado pela polícia como feminicídio.

Segundo o boletim de ocorrência ao qual a reportagem teve acesso, a agressão teve origem numa tentativa de nova violência sexual contra a filha da vítima, enteada do agressor.

A vítima de 41 anos foi agredida com socos, chutes e golpes de cabo de foice e de marreta no dia 29 de julho -ela tinha uma medida protetiva vigente em decorrência de uma agressão anterior.

Levada em estado grave ao Hospital Geral de Nova Iguaçu dois dias depois, na sexta-feira (31), ela passou por cirurgia de emergência e ficou internada no Centro de Terapia Intensiva. Na manhã da segunda-feira (3), sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu, conforme informado pelo hospital.

O companheiro foi preso na terça-feira (4) pela 63ª DP (Delegacia de Polícia) de Japeri, no bairro de Turiaçu, na zona norte do Rio, e é investigado por feminicídio.

A polícia não informou se ele tem advogado e a reportagem não conseguiu identificar nenhum representante. Ele ainda não passou por audiência de custódia.

Os nomes foram ocultados para preservação das crianças envolvidas no caso.

O boletim de ocorrência detalha a origem da briga que resultou no espancamento: o homem tentava, naquele dia 29 de julho, violentar sexualmente a enteada -hoje adulta- quando a vítima o questionou sobre as agressões contra a jovem e passou a ser o novo alvo da violência.

Ainda segundo o documento, a enteada contou à polícia que sofria agressões físicas do padrasto desde os 6 anos de idade. A situação, segundo o relato, a levou a fugir de casa ainda criança.

Ao retornar ao convívio familiar, aos 15 anos, o padrasto passou a submetê-la a violência sexual reiterada, segundo o boletim. Dessa violência nasceram duas filhas, atualmente com 1 e 4 anos. A jovem afirmou à polícia que era constantemente ameaçada de morte e agredida fisicamente quando resistia.

A mãe morava com seis filhos que tinha com o companheiro, assim como a sua filha de outra relação e as netas, também filhas do suspeito. Procurado, o Conselho Tutelar não comentou se sabia da situação familiar ou se acompanha o caso.

O homicídio não se consumou no dia 29 de julho em razão da intervenção de um dos filhos menores do casal, que se colocou entre os pais, segundo o boletim. À época do registro, ela manifestou interesse na concessão de medidas protetivas de urgência.

"Minha irmã era submetida à uma rotina de violência e cárcere. Ele não deixava ela sair de casa. As crianças estão comigo agora. Quando cheguei lá, era uma situação muito precária, as crianças não sabiam o que era uma roupa nova", contou o irmão.

O caso não era desconhecido da polícia.

A Polícia Civil identificou registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal: em 2011, a vítima denunciou ter sido agredida com socos, chutes e puxões de cabelo; em junho deste ano, ela voltou a procurar a polícia após novas agressões e ameaças de morte com uma foice, ocasião em que solicitou e obteve medida protetiva de urgência, que estava em vigor quando ocorreu o ataque que resultou em sua morte.

Durante as diligências na residência da família, os policiais apreenderam um revólver com seis munições. O homem pode responder por feminicídio consumado, descumprimento de medida protetiva, sequestro ou cárcere privado e posse irregular de arma de fogo.

As investigações sobre os abusos sexuais contra a enteada seguem em procedimento policial apartado.

O corpo da mulher agredida foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal de Nova Iguaçu. O velório ocorreu na terça-feira (4), no Cemitério de Engenheiro Pedreira, em Japeri.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Bruna Fantti | da Folhapress)
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