Uma moradora de Japeri, na Baixada Fluminense, morreu nesta semana depois de ser espancada pelo companheiro dentro de casa. O crime é investigado pela polícia como feminicídio.
Segundo o boletim de ocorrência ao qual a reportagem teve acesso, a agressão teve origem numa tentativa de nova violência sexual contra a filha da vítima, enteada do agressor.
A vítima de 41 anos foi agredida com socos, chutes e golpes de cabo de foice e de marreta no dia 29 de julho -ela tinha uma medida protetiva vigente em decorrência de uma agressão anterior.
O companheiro foi preso na terça-feira (4) pela 63ª DP (Delegacia de Polícia) de Japeri, no bairro de Turiaçu, na zona norte do Rio, e é investigado por feminicídio.
A polícia não informou se ele tem advogado e a reportagem não conseguiu identificar nenhum representante. Ele ainda não passou por audiência de custódia.
Os nomes foram ocultados para preservação das crianças envolvidas no caso.
O boletim de ocorrência detalha a origem da briga que resultou no espancamento: o homem tentava, naquele dia 29 de julho, violentar sexualmente a enteada -hoje adulta- quando a vítima o questionou sobre as agressões contra a jovem e passou a ser o novo alvo da violência.
Ainda segundo o documento, a enteada contou à polícia que sofria agressões físicas do padrasto desde os 6 anos de idade. A situação, segundo o relato, a levou a fugir de casa ainda criança.
A mãe morava com seis filhos que tinha com o companheiro, assim como a sua filha de outra relação e as netas, também filhas do suspeito. Procurado, o Conselho Tutelar não comentou se sabia da situação familiar ou se acompanha o caso.
O homicídio não se consumou no dia 29 de julho em razão da intervenção de um dos filhos menores do casal, que se colocou entre os pais, segundo o boletim. À época do registro, ela manifestou interesse na concessão de medidas protetivas de urgência.
O caso não era desconhecido da polícia.
A Polícia Civil identificou registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal: em 2011, a vítima denunciou ter sido agredida com socos, chutes e puxões de cabelo; em junho deste ano, ela voltou a procurar a polícia após novas agressões e ameaças de morte com uma foice, ocasião em que solicitou e obteve medida protetiva de urgência, que estava em vigor quando ocorreu o ataque que resultou em sua morte.
As investigações sobre os abusos sexuais contra a enteada seguem em procedimento policial apartado.
O corpo da mulher agredida foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal de Nova Iguaçu. O velório ocorreu na terça-feira (4), no Cemitério de Engenheiro Pedreira, em Japeri.
Comentários: