Natural de Jaú e filhas de pais que viveram por muitos anos em Bauru, a professora da rede municipal de Praia Grande há 24 anos Maíra Dias de Souza, 46 anos, disputa pela primeira vez uma eleição e concorre ao Senado por São Paulo pelo partido Unidade Popular (UP). Com Renato Melo e Penha Daolio como suplentes, ela apresenta uma plataforma baseada na defesa do socialismo, na ampliação de políticas públicas e na mudança das relações de trabalho. Maíra esteve em Bauru nesta semana e falou com o JCNET.
Entre as principais propostas apresentadas pela candidata estão o fim da escala 6x1, a adoção de uma jornada de 30 horas semanais distribuídas em quatro dias, sem redução salarial, e a reestatização de serviços que foram privatizados. Na educação, defende o fim da militarização das escolas, a revisão da reforma do Ensino Médio, mais professores e profissionais de apoio, redução do número de alunos por sala e valorização salarial dos trabalhadores da área. As propostas de jornada de 30 horas e policiamento comunitário também foram apresentadas por Maíra durante a entrevista ao JC/JCNET.
A candidata afirma que sua entrada na disputa eleitoral não representa o abandono da militância. Segundo ela, a candidatura deve funcionar como instrumento para divulgar as pautas defendidas pelo partido e ampliar a organização de trabalhadores. Maíra diz que a decisão de disputar o Senado foi tomada coletivamente pela legenda, e não por uma escolha pessoal.
A aproximação de Maíra com a política ocorreu por meio de coletivos ligados ao teatro, à arte-educação e à capoeira. Ela também integrou o Movimento Luta de Classes (MLC), em 2021, e participou de mobilizações de servidores municipais de Praia Grande em 2023 e 2024. Na avaliação da candidata, a experiência como professora e militante influencia diretamente sua atuação eleitoral. Ela afirma que pretende levar ao Senado pautas relacionadas ao trabalho, à educação, à saúde, à moradia e à participação popular.
Sabesp e serviços públicos
A reestatização da Sabesp aparece entre as principais bandeiras da candidatura. Maíra afirma que participou de mobilizações contra a privatização da companhia e defende que o serviço de saneamento volte ao controle estatal. A defesa da reestatização, porém, não se limita ao saneamento. A candidata afirma que o programa da UP prevê a retomada do controle público de outros serviços considerados essenciais.
Educação como prioridade
Professora da rede pública, Maíra coloca a educação entre os principais eixos de sua candidatura. Ela é contrária à militarização das escolas e critica o uso de plataformas digitais na rede pública, que classifica como "platformização". Segundo a candidata, esse modelo reduz a autonomia dos professores e destina recursos públicos a empresas privadas. Ela também afirma que escolas enfrentam problemas de infraestrutura, superlotação e baixos salários.
Trabalho e salário
No campo trabalhista, Maíra defende a substituição da escala 6x1 por uma jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso, com 30 horas semanais e manutenção dos salários. Também propõe aumento de 100% do salário mínimo. Questionada sobre como conciliar aumento salarial e redução da jornada com a manutenção das atividades econômicas, especialmente de pequenas empresas, ela afirma que a mudança seria financiada por uma redistribuição da riqueza e pela redução de recursos destinados ao pagamento da dívida pública e a subsídios a determinados setores. A candidata defende ainda mudanças na política econômica, com maior direcionamento de recursos para saúde, educação, agricultura familiar e habitação.
Para a saúde, Maíra propõe ampliar os investimentos públicos e afirma que recursos atualmente destinados ao pagamento da dívida pública, subsídios e emendas parlamentares deveriam ser direcionados para o setor. Na segurança pública, defende a desmilitarização da Polícia Militar e a adoção de um modelo de policiamento comunitário. A candidata também propõe ampliar o combate a crimes financeiros e investigar estruturas criminosas ligadas à lavagem de dinheiro e à corrupção.
Outra proposta apresentada por Maíra é a eleição popular de juízes, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal. A medida representaria uma mudança significativa no modelo atual de composição do Judiciário.
A pauta de combate à violência contra a mulher também integra o programa apresentado pela candidata. Maíra afirma participar do Movimento de Mulheres “Olga Benário” e cita a criação de casas de referência destinadas ao acolhimento de mulheres em situação de violência. Segundo ela, as políticas trabalhistas e habitacionais também devem ser tratadas como instrumentos de enfrentamento à violência doméstica. A candidata relaciona a dependência econômica, a falta de moradia e a jornada de trabalho às dificuldades enfrentadas por mulheres que tentam romper relações violentas. Na área habitacional, defende o aproveitamento de imóveis sem função social para moradia e a realização de reformas por meio de frentes de trabalho.
Primeira disputa e Senado
Maíra diz ainda que não pretende separar eventual mandato da mobilização social. Para ela, a atuação parlamentar deveria estar acompanhada da organização de trabalhadores em torno de pautas como a redução da jornada, a reestatização de serviços e a ampliação de direitos sociais. A candidata reconhece que suas propostas são diferentes das apresentadas por partidos tradicionais e sustenta que o objetivo da UP é utilizar a eleição para defender um projeto socialista.
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