Integrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal avaliam que a manifestação do governo Donald Trump, que acusa o Brasil de falhar no combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao CV (Comando Vermelho), tem caráter político-eleitoral e afirmam não haver fato novo sobre o tema que justifique a declaração a poucas semanas das eleições presidenciais.
A avaliação ocorre após o governo americano afirmar nesta quarta-feira (16) que o Brasil "falhou em confrontar" as duas facções e que os grupos transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína.
A pressão dos Estados Unidos pelo combate às organizações criminosas ocorre em meio à campanha presidencial brasileira e num contexto em que autoridades do governo Trump manifestaram apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Nesta quarta-feira (16), frisaram eles, as Ficcos (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado), coordenadas pela Polícia Federal, deflagraram uma operação simultânea em 19 estados contra grupos investigados por tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, homicídios e outros crimes ligados a organizações criminosas.
Uma manifestação oficial do Brasil está sendo preparada pelo Planalto e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Reservadamente, também veem a manifestação como parte de uma possível movimentação para novas sanções da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
A crítica do governo Trump aparece em um documento enviado pela Casa Branca ao Congresso americano na terça (15). No relatório, a gestão Trump identifica os países considerados grandes produtores de entorpecentes ou importantes rotas de narcotráfico e avalia os esforços de governos estrangeiros no combate às drogas.
A menção ao Brasil representa uma mudança em relação ao relatório do ano passado, quando o país não foi citado. Em 2025, a Casa Branca concentrou suas críticas em países como México, China, Colômbia e Venezuela e tratou de forma mais ampla do uso de designações terroristas e sanções contra cartéis e outras organizações criminosas transnacionais.
A mudança ocorre em meio a uma escalada da pressão do governo Trump sobre as duas principais facções criminosas brasileiras.
Em maio, o secretário de Estado (cargo equivalente ao de ministro de Relações Exteriores), Marco Rubio, classificou PCC e Comando Vermelho como "Specially Designated Global Terrorists", ou terroristas globais especialmente designados. A decisão foi assinada em 28 de maio e publicada no início de junho.
Em maio, o brasileiro foi recebido pelo americano na Casa Branca em uma reunião de cerca de três horas, na qual os dois discutiram comércio, minerais críticos e combate ao crime organizado.
Poucas semanas depois, Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu com o republicano e pediu que PCC e Comando Vermelho fossem classificados como organizações terroristas internacionais —medida adotada pelo Departamento de Estado no fim daquele mês e à qual o petista se opôs.
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