A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) deve confirmar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal em convenção do partido marcada para domingo (2), às 17h. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é esperado no evento.
Aliados da ex-primeira-dama dizem que ela ainda não decidiu de vez se será candidata e que deve bater o martelo apenas no domingo - a tendência, porém, é que ela aceite disputar a eleição.
Após a recente conciliação entre o presidenciável e sua madrasta, esse deve ser o primeiro evento eleitoral em que os membros do clã Bolsonaro vão dividir o palanque. De acordo com integrantes da equipe de Flávio, a convenção do PL-DF está prevista em sua agenda até agora.
Dirigentes do PL dizem esperar que Michelle entre na campanha de Flávio - e, no vídeo em que aceita as desculpas públicas do enteado, ela fala em sentar e conversar com o presidenciável. Esse encontro, porém, não foi marcado, segundo interlocutores de ambos.
A ex-primeira-dama vinha declarando que sua decisão de concorrer ou não dependia da saúde do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de estado e depende dos cuidados da mulher. Aliados de Michelle, no entanto, afirmam que ela optou por disputar o Senado, seguindo o plano eleitoral traçado pelo marido.
Um dos irmãos de Michelle, Diego Torres Dourado (PL), que foi assessor do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve ocupar a vaga de primeiro suplente na chapa. O posto de segundo suplente ainda depende de tratativas.
A ex-primeira-dama também vai lançar outro irmão, Eduardo Torres (PL), na política - ele vai concorrer a deputado distrital no DF. Eduardo dividia com Michelle as tarefas relacionadas a Bolsonaro, inclusive entregando marmitas ao ex-presidente durante o período de prisão na Papudinha.
No regime de prisão domiciliar, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes não autorizou que Eduardo frequente a casa da irmã e atue como cuidador de Bolsonaro.
Michelle também trabalhou para que o partido apoiasse a reeleição da amiga Celina Leão (PP) ao Governo do DF em vez de lançar o senador Izalci Lucas (PL-DF), que ficou sem espaço na chapa e vai concorrer a deputado federal.
O grupo de Michelle apoia ainda o deputado distrital Thiago Manzoni, que vai concorrer a deputado federal e é bispo da igreja IDE Brasília.
Flávio busca uma vice mulher para tentar reverter sua rejeição nesse público. Nesse ponto, a briga com Michelle, escancarada pela ex-primeira-dama em vídeos publicados em junho, o prejudicava ainda mais.
Além de ser uma aliada estratégica para a campanha de Flávio entre as mulheres, Michelle também é uma ponte com o segmento evangélico e, como presidente do PL Mulher, espalhou aliadas do partido pelo país e pode entregar capilaridade ao senador.
Nesta sexta (31), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reuniu-se com Michelle para tratar da eventual candidatura e afirmou que ela deve ir à convenção, mas que conversará com Bolsonaro sobre o tema. "Ela falou que vai resolver com o marido dela. Então, ela vai decidir isso provavelmente até domingo. Quem vai decidir é o Bolsonaro se ela sai de candidata ou não", disse Valdemar.
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