Mensagens de celular revelam que o tenente-coronel da PM Geraldo Neto usava termos distorcidos da biologia, como "macho alfa" e "fêmea beta", para humilhar a esposa, a soldado Gisele Alves, morta com um tiro na cabeça.
Geraldo Neto foi preso hoje por suspeita de feminicídio, violência doméstica e fraude processual. A perícia concluiu que o agressor imobilizou a vítima por trás e atirou contra a cabeça dela com uma pistola.
O laudo descartou a tese de suicídio apontada pelo suspeito. Os padrões de sangue no local e o tiro súbito pelas costas inviabilizaram qualquer chance de defesa da vítima.
Gisele se recusava a aceitar as humilhações exigidas pelo marido. "Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final", respondeu a vítima após ser chamada de "burra".
A origem científica dos termos
A raiz do vocabulário vem de uma interpretação antiga e já corrigida sobre o comportamento de lobos. O biólogo L. David Mech explica que a ideia nasceu de estudos em cativeiro, mas na natureza as matilhas funcionam como grupos familiares.
O primatólogo Frans de Waal popularizou o termo ao estudar hierarquias entre chimpanzés. Anos depois, ele passou a criticar a forma como a expressão foi transformada em sinônimo de homem autoritário.
O conceito original define apenas a posição mais alta na hierarquia, não uma personalidade agressiva. "Outras pessoas começaram a usá-lo para um homem que não é apenas forte e um líder, mas também um valentão. Nunca usei o termo nesse sentido", explicou de Waal.
O significado atual na internet
A internet transformou a noção distorcida em jargão de comunidades misóginas. A ONU Mulheres afirma que essa classificação reduz as mulheres a papéis de obediência dentro de uma lógica de poder masculino, a chamada "machosfera".
A teoria atual da internet define o "beta" como fracassado e enquadra mulheres na subordinação. Quando o raciocínio é aplicado a elas, o sentido é violento, pautado por parâmetros de obediência e valor sexual.
Prisão e defesa
O Ministério Público apoiou o pedido de prisão feito pela Polícia Militar. Os promotores avaliaram que existem requisitos legais e provas suficientes para manter o tenente-coronel detido.
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