Candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad apresentou nesta segunda-feira (31) um laudo para endossar que o seu motorista foi alvo de uma abordagem irregular por policiais militares, contestando as apurações divulgadas pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A campanha petista alega que o motorista Alessandro Caseri foi alvo de intimidação por policiais no dia 11 de agosto, após deixar o próprio Haddad em casa, em um bairro da zona sul da capital paulista. Um vídeo divulgado pela SSP (Secretaria de Segurança Pública estadual), porém, mostra uma viatura passando ao lado do carro do motorista na data e local informados, mas sem parar para abordá-lo.
Segundo a pasta, foram analisadas imagens de cerca de 40 câmeras privadas de residências e estabelecimentos comerciais ao longo do percurso indicado pelo motorista.
Embora nenhuma imagem mostre a abordagem em si, as câmeras teriam indicado um período de 20 minutos no qual uma viatura teria ficado parada no local, e no qual um agente teria circulado pela rua.
A perícia, assinada por dois peritos judiciais no dia 28 de agosto, concluiu que a movimentação indicou que a viatura parou em um ponto não coberto pelo campo de visão de parte das câmeras.
"A notícia dada de que a viatura não parou na frente do hotel está completamente desmentida. Não existe isso, está completamente consignado nos autos", disse Haddad a jornalistas durante a tarde, em seu QG de campanha, na região do Pacaembu, na região central da cidade.
Durante a entrevista à imprensa, o advogado Thiago Rocha, que representa Haddad e o motorista, disse que três viaturas passaram pelo condutor: uma em frente à residência do petista, enquanto ele desembarcava do carro, e outras duas em frente ao hotel.
"A primeira [viatura em frente ao hotel], que passa cerca de 20 minutos depois que o Alessandro chega, estaciona um carro à frente dele. E aí, segundo o relato do próprio Alessandro, três policiais descem dessa segunda viatura, param na porta traseira e dizem, 'vaza'. E aí, a partir desse momento, ele sai", disse Rocha.
Haddad também mencionou que a Procuradoria Eleitoral do Ministério Público Federal (MPF), embora tenha arquivado representação feita pela campanha, disse ser inverossímil a ideia de coincidência na realização das patrulhas.
"O caráter excepcional desse duplo engajamento tático, em tão curto espaço de tempo e com guarnições que não realizam radiopatrulha comum de 190, fragiliza sobremaneira a tese de regularidade e casualidade administrativa levantada pela corporação", diz o parecer do MPF, divulgado pela própria campanha.
Durante esse diálogo, o motorista teria dito que a polícia deveria olhar as imagêns de outras câmeras, que confirmavam seu relato. Ainda de acordo com Haddad, o secretário parou de responder as mensagens depois disso.
"E foi aí que nós peticionamos o pedido para que outras imagens fossem coletadas. Eles coletaram imagens de 70 outras câmeras, que nós não sabemos quais são, mas aquelas que esclareceram o caso, foram de uma petição nossa para o delegado que preside o inquérito", disse o petista.
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