O estudante de história da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) agredido coletivamente no último dia 25, acusado por outros alunos de fazer apologia do nazismo, afirmou que não compactua com ideais fascistas e nazistas e que se identifica com o marxismo.
O caso aconteceu nos corredores do IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais), no centro.
"Não sou nazista. Sou um estudioso do tema nazismo, seja no Brasil, seja na Europa. Meu interesse é puramente acadêmico", afirmou Diego Araujo em entrevista ao jornalista Pedro Doria, do Canal Meio, no sábado (25).
A reportagem procurou Diego por meio de advogada que o defende em outro processo na sexta (28) e nesta segunda-feira (31). Ela afirmou ter repassado o contato da reportagem ao estudante, mas não houve retorno.
O estudante foi agredido após ser abordado dentro da sala de aula e questionado sobre a roupa que vestia e o broche que usava.
Ele chegou ao campus com uma camiseta da banda pós-punk Death in June. A estampa é de uma caveira cruzada por dois fêmures. O símbolo é semelhante ao Totenkopf (caveira em alemão), que foi usado no passado pelo exército da Prússia e, mais tarde, pela SS, força paramilitar nazista da Segunda Guerra Mundial. A caveira também estampava tanques e aviões do exército e força aérea de Adolf Hitler.
Diego também usava um broche com uma suástica riscada por uma listra vermelha na diagonal, símbolo habitual de "proibido".
Vídeos mostram que, após abordagem na sala, Diego era encaminhado por alunos à secretaria, quando começou a ser agredido. As agressões continuaram até a saída. Diego diz ter sofrido cortes na cabeça e hematomas no olho, além de lesões na costela e joelhos.
Os centros acadêmicos de história e ciências sociais da UFRJ convocaram uma mobilização para terça (1º) contra o que afirmam ser ameaças nazifascistas na universidade.
"Através da coletividade, iremos defender os estudantes e lutar por uma universidade que preza pelo respeito e dignidade, repudiando ofensas de supremacistas e autoritários", diz o texto da convocação.
Um dos álbuns do conjunto, lançado em 2005, foi proibido na Alemanha por conter trechos da canção "Horst Wessel Lied", hino associado ao partido nazista. Em artigo à época, o vocalista Douglas Pearce argumentou que usou a canção para criar uma atmosfera que questionava a homofobia de um soldado nazista. O líder do grupo já comentou em entrevistas e textos que a banda tem gosto por usar símbolos contraditórios, mas que não defende ou apoia o nazismo.
As camisetas com a caveira são vendidas em portais vinculados ao grupo na internet.
Um dos alunos envolvidos no episódio diz que Diego proferiu injúrias raciais e o agrediu com puxões no cabelo. Ele nega.
"Em momento algum dos vídeos você vai achar que tive alguma reação violenta. Em todos os vídeos em que estou circulando, estou colaborando; desde o momento em que sou retirado à força da sala até o momento em que sofro uma tentativa de homicídio."
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