O grupo do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), chega ao fim das convenções partidárias abocanhando as principais siglas do centrão para a aliança em torno da candidatura do deputado federal Sandro Alex (PSD) ao Palácio Iguaçu.
Já o senador Sergio Moro (PL), líder nas pesquisas de intenção de voto ao Executivo, fará campanha com o apoio da família Francischini e do partido Novo de Deltan Dallagnol, ambos arrancados da base de Ratinho Junior.
Além de Alex e Moro, outro nome de peso na corrida ao governo é o deputado estadual Requião Filho (PDT), que aparece em segundo lugar nas pesquisas. Ele tem o apoio do PT, em uma costura feita ainda no final do ano passado que também agrega PV, PC do B e a federação PSOL-Rede, além de PRD e Solidariedade. Para o Senado, a chapa traz dois nomes petistas: a ex-ministra de Lula e deputada federal Gleisi Hoffmann e o ex-deputado federal Dr. Rosinha.
Para garantir uma ampla aliança contra Moro, Ratinho Junior articulou para tirar da corrida dois nomes que estavam dispostos a concorrer à cadeira de governador: o deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos), presidente da Assembleia, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB).
Curi aceitou uma das vagas de candidato ao Senado na chapa do PSD. E Greca concordou em ser candidato a vice-governador de Alex, que na última pesquisa Genial/Quaest aparecia atrás do emedebista, na quarta posição.
Ratinho Junior também chamou a apresentadora e comentarista política Cristina Graeml para se filiar ao PSD, na tentativa de assegurar alguma fatia do eleitorado bolsonarista para a chapa de Alex. Deu a ela a segunda vaga da disputa ao Senado, inviabilizando a candidatura do ex-senador Alvaro Dias (MDB), que na dobradinha com Greca aparecia em primeiro lugar nas pesquisas.
Além de MDB e Republicanos, o PSD conseguiu atrair ainda a federação formada pelo PP e União Brasil, na esteira dos desgastes entre Moro e lideranças das duas siglas. Avante e a federação PSDB-Cidadania também formam a aliança.
Mas a composição da chapa também trouxe conflitos, e correligionários do PSD temem efeitos na campanha -a propaganda eleitoral começa dia 16 de agosto.
Outro preterido na chapa, o ex-secretário das Cidades Guto Silva (PSD) agora se mantém mais distante do grupo. "Silêncio também é posição e toda posição tem prazo", escreveu ele em rede social.
Braço direito de Ratinho Junior ao longo dos dois mandatos no Palácio Iguaçu, Guto era o nome mais cotado para disputar a sucessão até o início do ano. Mas ele não decolou nas pesquisas o suficiente para ser considerado competitivo contra Moro, na justificativa de correligionários.
Da direita radical afinada com o bolsonarismo, Graeml conseguiu levar a corrida eleitoral para o segundo turno, mesmo sem estrutura partidária. A campanha foi acirrada, com troca de acusações de lado a lado. A então candidata costumava chamar Pimentel de "candidato do sistema".
Na terça-feira (4), ao confirmar o nome de Graeml na chapa, o governador disse que a vê como "um talento da nova safra da política do Paraná" e justificou "valores em comum", como "proteção da propriedade privada e liberdade econômica".
"O Paraná é gigante. E ele é gigante porque não entrou numa briga, uma briga ideológica, sem sentido. Por isso crescemos mais do que o Brasil", disse Ratinho Junior em um vídeo distribuído em julho.
Alex também já adotou a estratégia, ao repetir que a função do governador "não é destruir" e que "política não se faz com discurso de ódio". "Seguimos em frente unidos e em paz", vende o slogan do grupo.
Durante a convenção do PL estadual, Moro usou uma camiseta com a frase "Curitiba prendeu. Brasília soltou", em referência aos processos de Lula na Operação Lava Jato, e também defendeu a liberdade de Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.
Filiado ao PL, Moro conseguiu fechar uma aliança com o Novo, o Podemos e o DC (Democracia Cristã). Na chapa, os candidatos ao Senado são o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo), ambos defensores de pautas conservadoras e ferrenhos críticos do presidente Lula.
A deputada estadual Flávia Francischini, esposa de Fernando, fez o mesmo movimento e vai tentar a reeleição, de olho na presidência da Assembleia, em caso de vitória de Moro. Outro pré-candidato à reeleição, o deputado federal Felipe Francischini, filho de Fernando, assumiu o comando do Podemos.
"Fomos [na aliança] porque queremos estar num projeto de direita estadual e nacional. Sempre caminhei com a direita em todas as eleições", disse Felipe à reportagem.
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