O governo dos Estados Unidos estuda impor novas sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), segundo informações do jornal inglês Financial Times.
A reportagem afirma que as medidas contra Moraes voltaram a ganhar força após o ministro autorizar ações de busca e apreensão contra informantes do jornalista Luís Pablo, do Maranhão, que publicou textos sobre o ministro Flávio Dino e também foi alvo de buscas determinadas pelo magistrado.
Nos últimos meses, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seu filho Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, já vinham pedindo a membros do governo americano a retomada das sanções contra Moraes. Entre os defensores da medida estão o empresário Paulo Figueiredo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que mantêm interlocução com integrantes da administração Trump.
Se confirmadas, as novas sanções abririam mais uma frente de desgaste na relação entre os dois países.
O ministro e sua mulher, Viviane Barci, já haviam sido alvos de sanções dos EUA. Em julho do ano passado, a gestão Trump enquadrou o magistrado na Lei Magnitsky, que prevê uma série de restrições a acusados de graves violações de direitos humanos.
O argumento do governo americano na época era o de que Moraes cometeu "graves abusos de direitos humanos" como relator do processo que investigou a trama golpista das eleições de 2022, que resultou na condenação e prisão do ex-presidente Bolsonaro.
As sanções incluíam a proibição de entrada nos EUA, o congelamento de bens no país e o bloqueio de transações comerciais e financeiras entre pessoas ou empresas dos EUA e os alvos da medida.
As restrições foram retiradas em dezembro do ano passado, e Moraes agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo empenho pela derrubada da medida.
Outro impasse envolve a indicação do diplomata Daniel Perez, escolhido por Trump para assumir a embaixada do país em Brasília.
O governo americano subverteu a praxe diplomática e anunciou o nome de Perez antes de haver o aceite formal do Brasil -procedimento conhecido como agrément. O presidente Lula tem reiterado que só vai analisar o aval ao novo embaixador após as eleições de outubro no Brasil.
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