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Golpe usava IA para clonar voz de advogados, diz polícia

Os presos deverão responder por estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa

Golpe usava IA para clonar voz de advogados, diz polícia
Governo de São Paulo/Divulgação
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A Polícia Civil prendeu oito suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada no golpe do falso advogado nesta terça-feira (19), durante a Operação SP Advocacia Mais Segura. O grupo operava por meio de uma central telefônica e usava inteligência artificial para reproduzir a voz de advogados reais e convencer as vítimas a realizarem transferências bancárias.

Segundo as investigações, a quadrilha movimentou cerca de R$ 10 milhões entre outubro de 2025 e abril deste ano. Apenas uma das investigadas presas foi responsável por R$ 3 milhões.

Eles são suspeitos de utilizar falsas decisões judiciais para enganar pessoas no interior e litoral de São Paulo. De acordo com a Polícia Civil, 12 vítimas foram identificadas em cidades como São José do Rio Preto, Novo Horizonte, Paulínia e Bauru. Uma delas perdeu R$ 35 mil.

"O número de vítimas e o prejuízo total podem ser ainda maiores, pois há casos que não houve registro", afirmou o delegado seccional de Rio Preto, Everson Aparecido Contelli, conforme nota publicada pela da SSP (Secretaria de Segurança Pública).

As investigações apontam que a organização tinha atuação estruturada e alcance nacional, com indícios de vítimas em outros estados.

A ação foi coordenada pela Delegacia Seccional de São José do Rio Preto em parceria com a OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo). As prisões ocorreram na capital paulista.

Leonardo Sica, presidente da OAB-SP, afirma que o golpe foi impulsionado pelo uso criminoso de dados públicos do judiciário e a engenharia social (técnicas de manipulação psicológica) aplicada no ambiente digital.

"A atuação da OAB SP tem atuado firmemente no combate a esse golpe, em parceria com as forças de segurança. Temos nos concentrado em ações estratégicas de inteligência para desarticular os braços financeiros e operacionais dessas quadrilhas", afirma o presidente.

A entidade tem uma força-tarefa para combater esse crime desde janeiro de 2025.

Como funciona o golpe

O esquema começa com informação real. Criminosos obtêm dados verdadeiros de processos judiciais em andamento, como número da ação, nome das partes e foto do advogado. Com esse material, montam uma abordagem convincente.

O contato chega por WhatsApp, e-mail ou SMS, de um número desconhecido, mas com identidade visual do escritório real: foto do profissional, nome correto, e logotipo da firma.

A urgência é sempre um elemento central: os golpistas criam pressão para que a vítima transfira o dinheiro sem tempo para verificar a informação.

Somente em São Paulo, a OAB-SP já registrou 5.400 denúncias relacionadas ao crime em pouco mais de um ano e meio.

Desconfie de urgência e de qualquer pedido de pagamento para liberar valores. Transferências para contas de terceiros são sinal certo de fraude. Com o uso de inteligência artificial para clonar vozes e rostos, nem áudios e vídeos são garantia de autenticidade. Por isso, sempre confirme por outro canal antes de agir.

Se cair no golpe, aja rápido: avise o banco e peça a abertura do MED (Mecanismo Especial de Devolução), em caso de Pix, guarde prints e comprovantes, registre um boletim de ocorrência e comunique seu advogado real.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Guilherme Matos | da Folhapress)
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