O senador Flávio Bolsonaro (PL), que é candidato à Presidência, evitou dizer como deve votar em relação ao fim da escala 6x1 no Senado, mas reforçou que defende proposta alternativa à apoiada pelo governo Lula (PT). Segundo ele, o trabalhador deve ter liberdade para escolher a própria jornada.
As declarações foram dadas em entrevista para o programa Domingo Espetacular, da Record, divulgada neste domingo (30).
Ao ser questionado sobre como votaria, caso a apreciação da proposta fosse agora em setembro, ele não cravou qual seria seu posicionamento. Reforçou, porém, que defende um desenho alternativo.
Flávio citou casos recentes, como os pedidos de recuperação judicial das Casas Bahia do Habib's, como argumentos contra a proposta do governo. Ele afirma que tais casos mostrariam que o Brasil tem hoje um "ambiente muito hostil para criação de empregos".
A proposta do fim da escala 6x1 sem redução de salário é uma das principais bandeiras da campanha à reeleição de Lula. Aprovada na Câmara no primeiro semestre, ela estava travada no Senado, mas teve avanço nos últimos dias e há expectativa de que seja analisada nesta semana.
O avanço da pauta foi selado na última quarta-feira (26), após reunião do presidente da República com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Na última quinta (27), o senador Omar Aziz (PSD-AM) divulgou o relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), atendendo ao governo Lula e mantendo o texto aprovado pela Câmara em maio. Isso porque uma alteração na PEC pelo Senado obrigaria o texto a voltar para a Câmara, o que dificultaria a promulgação antes da eleição.
A oposição, por sua vez, protocolou 14 emendas para alterar a PEC aprovada pela Câmara. Uma delas propôs manter a jornada de 44 horas semanais na Constituição e deixar uma eventual redução a critério de negociação coletiva ou contrato por hora. Essa ideia segue o modelo defendido por Flávio. A bancada bolsonarista também apresentou uma PEC que estabelece um novo regime de trabalho, com pagamento por hora trabalhada.
Flávio evitou adiantar nomes que indicaria, caso eleito, mas afirmou que seriam patriotas, e também contra o aborto e contra as drogas.
"Eu vou indicar homens e mulheres que sejam comprometidos em serem contra o aborto, em serem contra as drogas e que não usem a caneta para fazer injustiça com ninguém", disse. "O perfil vai ser esse: homens e mulheres que sejam de verdade patriotas e que pensem em trazer segurança jurídica de volta e resgatar a credibilidade do Supremo."
Durante a entrevista, ao ser questionado quanto a se indultaria seu pai, que hoje está em prisão domiciliar, Flávio criticou a corte no contexto do julgamento do 8 de Janeiro, dizendo que o processo foi uma "grande farsa" e que houve uma perseguição. Nesse contexto, afirmou que se eleito, trabalhará para que a anistia aos envolvidos no 8/1 seja aprovada ainda neste ano e que, caso não dê tempo, concederá indulto aos condenados.
No último ano, Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele foi apontado como líder de uma trama golpista colocada em marcha ainda durante seu governo, o que incluiu pressão sobre comandantes militares para a adoção de medidas de exceção que evitassem a posse de Lula e o mantivessem no poder.
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