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Com filas e regras, aulas do modelo cívico-militar começam

A modelo cívico-militar começou a ser implementado nesta segunda-feira (2) em 100 escolas da rede paulista.

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Filas, hino nacional, regras para cabelo e uso de uniforme passaram a integrar a rotina dos alunos da Escola Estadual Professor Lourenço Filho após a implantação do modelo cívico-militar pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). As mudanças alteraram o cotidiano da unidade no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo, e vêm sendo recebidas de formas distintas por estudantes e familiares.

Na escola, atuam dois policiais militares aposentados. "O corte de cabelo precisa ser discreto e compatível com o ambiente escolar. Não é permitido, por exemplo, cabelo colorido ou cortes muito chamativos", disse o monitor tenente Gilberto Pereira da Silva Junior, 55.

Ele, que é formado em educação física, explicou que a implantação ocorre de forma gradativa. "Não se trata de proibir estilo pessoal, mas de estabelecer limites. O aluno continua sendo quem ele é fora da escola."

A modelo cívico-militar começou a ser implementado nessa segunda-feira (2) em 100 escolas da rede paulista. Ao todo, 208 policiais militares aposentados passaram a atuar como monitores nas unidades participantes, que atendem 53 mil alunos -cerca de 1,5% de todos os matriculados.

O secretário executivo da Secretaria Estadual de Educação, Vinicius Neiva, afirma que a quantidade de monitores por escola ainda está em avaliação e será definida "conforme a realidade de cada unidade".

Na Professor Lourenço Filho, que a reportagem visitou nesta volta às aulas, a chamada revista matinal destinada a orientações sobre postura, educação, ética e organização. "Essas regras já existem em outras instituições e ajudam na disciplina e no respeito entre os alunos. Vamos lapidando o que é necessário no dia a dia. A ideia é trabalhar convivência, respeito e evitar situações como bullying, brigas e preconceito", disse.

A sargento Elan Bispo, 55, policial militar aposentada e formada em pedagogia, também atua como monitora no projeto. Ela afirma que a proposta busca contribuir para a formação dos alunos além do conteúdo pedagógico. "O civismo educa para a vida. A gente começa pelo dever para que o aluno saiba exercer seus direitos", disse.

Os monitores que atuam no projeto são policiais militares aposentados e passaram por treinamento antes de iniciar as atividades nas escolas. A atuação ocorre em articulação com a direção e a coordenação pedagógica, seguindo normas definidas pela Secretaria da Educação.

Vinicius Neiva afirma que a implantação do modelo não altera a proposta pedagógica da rede estadual. De acordo com ele, a principal mudança está no apoio à rotina escolar, com a atuação dos monitores em atividades relacionadas à disciplina, ao respeito e ao civismo, além da oferta de uma disciplina no contraturno voltada à cidadania. "Os militares não entram em sala de aula para interferir no conteúdo pedagógico. E o modelo prevê a oferta de uma disciplina no contraturno voltada à cidadania."

Para Andréa, a existência de diferentes modelos de ensino é importante. "Cada responsável deve colocar o filho na escola que mais se encaixa nos seus princípios, valores e necessidades", diz. Ela contou que o filho ficou chateado com a adequação do cabelo, mas que a situação foi resolvida em conversa. "Ele entendeu. Encaro isso como um obstáculo que eles vão encontrar na vida. Há lugares e lugares para tudo", afirmou.

A mãe acrescenta que não concorda com medidas extremas, mas considera necessárias algumas regras. "Não sou a favor de proibir cabelo loiro ou ruivo; mas rosa, verde ou azul, sou a favor de restringir. Infelizmente, por conta de alguns, algumas atitudes acabam tendo que ser tomadas", comenta.

Em parte das escolas, o ano letivo começou sem a entrega de uniforme para os alunos. Como a Folha mostrou, nesses casos os pais receberam orientações sobre como os filhos devem se vestir para as aulas.

O secretário argumenta que a entrega dos uniformes está em andamento e que ajustes fazem parte do processo inicial, que envolve compra, certificação e adequação de tamanhos. A expectativa, é que a situação esteja regularizada ainda no primeiro semestre.

O edital previa que cada aluno deveria receber duas camisetas de manga curta, duas calças, um casaco e duas bermudas. As peças devem ser nas cores azul e branco.

Em nota, a secretaria informou que houve problemas no processo de compra. "O pregão para a aquisição dos uniformes segue com as etapas necessárias para a finalização do processo. Quatro modelos de camisetas não atenderam às especificações técnicas previstas no edital e, por isso, foram retiradas da licitação, que segue em andamento para garantir a aquisição adequada dos uniformes", diz a pasta.

Implementação atrasada

Promessa do governador em aceno à base bolsonarista, o programa deveria ter iniciado do ano letivo de 2025, mas foi barrado por uma série de decisões judiciais.

A implementação das escolas cívico-militares vai ter um custo adicional de R$ 17 milhões ao ano para as unidades selecionados para os pagamentos dos militares aposentados. Eles vão receber uma diária de R$ 301,70 --cerca de R$ 6.000 por mês caso cumpram a carga máxima de 40 horas semanais. Esse valor será somado ao que já recebem de aposentadoria.

A maioria dos selecionados pelo programa são praças, ou seja, eram militares de menor patente para as quais não é exigido que tenham ensino superior.

FONTE/CRÉDITOS: Jnet (Por Bárbara Sá | da Folhapress)
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