Desde o início de 2026 o Brasil registrou 149 casos de mpox, entre confirmados e prováveis, de acordo com o painel de monitoramento do Ministério da Saúde, atualizado na segunda-feira (9). Nenhum óbito foi contabilizado no país neste ano.
Com 93 confirmações, o estado de São Paulo lidera o ranking nacional, seguido por Rio de Janeiro (18), Rondônia (11), Minas Gerais (11), Rio Grande do Norte (3), Rio Grande do Sul (3) e Santa Catarina (3). Paraná tem 2 casos. Amazônia, Ceará, Distrito Federal, Pará e Sergipe registram 1 caso cada.
O Ministério da Saúde afirma que o cenário atual não indica situação de crise e que o SUS (Sistema Único de Saúde) está preparado para diagnóstico, tratamento e monitoramento dos casos, com investigação epidemiológica e rastreamento de contágios. A pasta diz ainda que mantém vigilância ativa e acompanhamento dos pacientes.
Segundo a organização internacional, ambos os pacientes apresentaram sintomas semelhantes aos demais clados sem evolução grave, e a avaliação de risco permanece moderada para grupos com maior exposição -como homens que fazem sexo com homens, trabalhadores do sexo e pessoas com múltiplos parceiros- e baixa para a população geral.
Em 2025 o Brasil registrou 1.079 casos e dois óbitos ao longo de todo o ano.
O que é a mpox?
A mpox, anteriormente conhecida como "monkeypox" (varíola dos macacos, em português), é uma infecção causada pelo vírus Mpox, que pertence à família do gênero orthopoxvirus, o mesmo da varíola, explica infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana.
Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Se evoluir para a chamada fase eruptiva, surgem também lesões na pele que podem ocorrer na face, região genital, perianal, palmas das mãos e dos pés e mucosa. Segundo a médica, casos graves podem evoluir com manifestações neurológicas e oculares.
O vírus que causa a mpox se divide em dois clados, que são agrupamentos de espécies semelhantes com ancestral evolutivo comum. Os clados 1 e 2 se dividem em dois subclados: 1a e 1b, 2a e 2b.
Como a doença é transmitida?
A principal forma de transmissão da doença é entre seres humanos, afirma Juvencio Furtado, infectologista do Hospital Heliópolis. Segundo ele, é raro a transmissão vinda de um animal, sendo o mais comum ser do contato próximo entre pessoas, com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e objetos pessoais contaminados.
"O vírus penetra no ser humano através de lesões de pele, mesmo que essas lesões não sejam visíveis. Pode penetrar raramente pelo trato respiratório, membranas mucosas, como nos olhos, boca e nariz", diz Furtado. Outra via de transmissão em debate, afirma, é a vertical via placentária, a chamada mpox congênita.
A doença também pode ser transmitida mesmo antes de se apresentar qualquer tipo de sintoma ou por pacientes assintomáticos, explica Falci.
O que posso fazer para evitar a contaminação?
Para Furtado, a medida protetiva mais importante é evitar o contato corporal pele a pele. Além disso, as pessoas que tiverem as manifestações clínicas da doença devem ficar afastadas durante o período de transmissibilidade, que corresponde ao período em que as lesões estão ativas, diz.
No entanto, Pinheiro diz que as vacinas têm sido insuficientes. "Temos observado no dia a dia um aumento no número de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, pouco identificado em circulação no Brasil", afirma.
Falci indica também mudanças comportamentais em relação às parcerias sexuais e o uso de equipamento de proteção por profissionais de saúde em ambientes hospitalares, além da higiene rigorosa do ambiente em que o paciente foi atendido.
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