A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta manhã uma operação para atingir a rede que compra e revende celulares roubados pelas quadrilhas "quebra-vidros" na capital.
Investigação apontou uma cadeia de receptação ligada ao grupo, que rouba aparelhos de dentro de carros em congestionamentos. Os criminosos têm protagonizado um problema recorrente na cidade, que tem assustado motoristas e vitimado, principalmente, trabalhadores de aplicativos de corrida.
Policiais cumprem hoje 19 mandados de busca e apreensão em São Paulo. A ação tem como alvo investigados suspeitos de integrar a estrutura que recebe e coloca os aparelhos no mercado clandestino.
Delegado Fernando Santiago acredita que atacar a receptação é uma forma de reduzir os crimes. "Além de analisar os boletins de ocorrência e mapear os locais com maior incidência desses crimes, também concentramos esforços na identificação dos receptadores. Eles são a linha de frente. Se não houver quem compre e revenda os aparelhos, não haverá incentivo para a prática desses delitos", afirmou.
Investigados podem responder por associação criminosa, roubo, furto, receptação e furto eletrônico. A operação é coordenada pelo Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), com a mobilização de 50 agentes e 22 viaturas, que tentam coletar provas e identificar outros envolvidos.
Casos registrados em grandes avenidas têm chamado a atenção da polícia. "Eles quebram os vidros dos carros quando o trânsito está parado, principalmente na 23 de Maio e Radial Leste", disse Osvaldo Nico Gonçalves, secretário da Segurança Pública de São Paulo e ex-delegado-geral da polícia.
Polícia de São Paulo afirma não ter números de furtos e roubos de celulares cometidos pelas chamadas "quadrilhas quebra-vidro". Segundo o porta-voz da Polícia Militar, coronel Lucena, essa modalidade criminal é contabilizada na categoria "outros roubos" e o modo "quebra-vidros" é a qualificadora.
"Mapeamos que esses furtos e roubos estão muito ligados ao congestionamento e aos horários de pico em São Paulo. Às 19 horas das quintas e sextas-feiras são momentos de maior incidência", disse o coronel Lucena, porta-voz da Polícia Militar.
Somente no primeiro semestre deste ano, o grupo teria desviado ao menos R$ 915 mil. De acordo com a polícia, a Justiça determinou o bloqueio de valores e ativos financeiros, inclusive em criptomoedas e investimentos, de pessoas físicas e jurídicas ligadas à quadrilha, totalizando um montante de R$ 915.006,59.
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