Um homem suspeito de matar e decapitar Dante Brito Michelini, 76, em um sítio de Guarapari (ES) foi preso nesta quarta-feira (12) pela polícia. A cabeça de Dante, que não foi encontrada no local do crime, também foi recuperada.
Suspeito, de 29 anos, dormia escondido no sítio de Dante, mas foi descoberto e expulso a pauladas pelo homem do local. Essa expulsão teria feito com que ele virasse motivo de chacota na vizinhança e motivado o crime, segundo a polícia.
"Segundo o interrogatório, ele ficou com muita raiva pelo fato de ser agredido pela vítima. Ele foi agredido com uma paulada e foi vítima de deboche na região porque teria apanhado de uma pessoa que disseram que era estuprador. Isso criou uma raiva nele", diz Franco Malini, chefe do DHPP de Guarapari.
Criminoso tinha sido preso por outro crime antes de o corpo de Dante ser encontrado. Segundo o delegado José Darcy Arruda, o suspeito foi detido em 28 de janeiro por descumprir uma medida protetiva.
Ele teria confessado o assassinato de Dante inesperadamente, ao ser levado para prestar depoimento nesta semana. A polícia acredita que o homem seja o autor do crime pela quantidade de detalhes que ele deu sobre o estado em que a casa e o corpo do homem estava.
O suspeito também indicou local onde a cabeça de Dante foi jogada, em um canal no centro de Guarapari. Ele contou à polícia que amarrou a cabeça a pedras para que ela afundasse.
Cabeça estava a quatro metros de profundidade. Na noite desta quarta-feira, os bombeiros seguiam no local tentando encontrar a arma do crime, que, segundo o suspeito, também foi jogada no canal.
Nome do homem preso não foi divulgado. Segundo a polícia, ele era da Bahia e chegou na região de Guarapari no começo do verão, no fim de 2025. O suspeito vivia de bicos na região.
O crime contra Dante
Corpo de Dante foi achado decapitado e carbonizado dentro do sítio em que ele morava, em 3 de fevereiro. Um vizinho chamou a Polícia Militar relatando que não via o dono do sítio há algum tempo e que o local tinha sinais de destruição.
"Dantinho", como era chamado pela família, vivia recluso desde a morte do pai, Dante Barros Michelini, afirmou advogado. Em nota enviada ao UOL, Adir Rodrigues Silva Junior, representante de um dos irmãos de Dante, disse que a família aguardava o andamento das análises da polícia.
Relembre o caso Araceli
A menina Araceli Cabrera Crespo desapareceu ao sair da escola em maio de 1973. Ela tinha oito anos e morava em Vitória.
Corpo dela foi encontrado seis dias depois abandonado em um matagal. A polícia concluiu que ela foi drogada, estuprada, morta e carbonizada.
Após a condenação dos dois, a família entrou com recurso e Dante e Paulo foram absolvidos. Na época, as famílias dos homens foram acusadas de usar da sua influência para atrapalhar as investigações. O crime aconteceu no ápice da ditadura militar no Brasil.
Após a absolvição dos homens, o caso seguiu impune e prescreveu em 1993. Em 2023, o estado brasileiro foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização Estados Americanos pela falta de solução para o crime. A OEA pediu que funcionários do estado que tenham intervido na investigação recebessem medidas disciplinares.
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