O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a cassação da aposentadoria do desembargador Arthur Del Guercio Filho, condenado por improbidade administrativa.
A medida foi decretada após o STF (Supremo Tribunal Federal) extinguir, em maio, a aposentadoria compulsória como punição para juízes. A decisão, assinada pelo presidente do TJ-SP, Francisco Eduardo Loureiro, foi publicada na sexta-feira (21) no Diário Eletrônico da Justiça do Estado de São Paulo e passou a valer a partir do dia 11 de agosto.
Del Guercio Filho foi acusado em 2013 de pedir dinheiro a advogados interessados em processos nos quais ele atuou. Ele atuava na 15ª Câmara de Direito Público do tribunal e foi afastado do cargo no mesmo ano. Segundo testemunhas ouvidas numa investigação conduzida pelo próprio TJ à época, ele procurava advogados e seus clientes dizendo ter problemas financeiros e pedia de R$ 20 mil a R$ 35 mil.
A reportagem entrou em contato com a defesa do desembargador e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Em julho, mesmo afastado das funções havia treze anos, Del Guercio Filho recebeu R$ 44.756,70 líquidos. As informações estão disponíveis no Portal da Transparência do tribunal.
Até a decisão do STF, juízes tinham a aposentadoria compulsória como punição máxima, com garantia do recebimento de salário proporcional. Em 20 anos, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) condenou 126 magistrados à aposentadoria compulsória, punição que permite que o condenado receba vencimentos.
O órgão aplicava a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), que definiu que são penas disciplinares a advertência, censura, remoção compulsória, disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço e aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, a punição mais grave.
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