SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi oficializado como candidato de seu partido à reeleição no estado ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, em uma convenção realizada na manhã deste sábado (1º) no Ginásio do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista.
Tarcísio fez um discurso de agradecimento ao partido, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que disse ser amado por todos, e apresentou balanço de seu primeiro mandato com promessas para uma eventual nova gestão, intercaladas com críticas indiretas ao adversário no estado, Fernando Haddad (PT). Ele evitou falar diretamente sobre Lula (PT).
"Queria agradecer, Flávio, ao presidente Bolsonaro, que me abriu essa porta lá atrás, que me permitiu fazer aquilo que eu gostava, fazer infraestrutura pelo Brasil, que me incentivou. Uma pessoa, Flávio, que nunca trouxe vitória nenhuma para ele, sempre compartilhava comigo. Ele me fez, e ele teve essa ideia, ele tinha genialidade, ele tinha o carisma que eu nunca vi igual, e ele me abriu essa porta. Nós amamos seu pai, nós amamos Jair Messias Bolsonaro", disse.
O distanciamento dos partidos em relação ao presidenciável foi visível diante das centenas de bandeiras que candidatos levaram ao evento, para cargos de deputado federal e estadual. As imagens de Tarcísio estavam presentes em todas, mas nenhuma delas trazia imagens do filho mais velho de Bolsonaro.
Presidente do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira tratou o senador como "meu candidato a presidente", sem recuar da sinalização de neutralidade da sigla na esfera federal.
Tarcísio, que terá Fernando Haddad como seu principal rival, subiu ao palco do evento, no centro do ginásio, ao som de "Tarcísio te leva", uma versão reciclada do jingle de 2022, do cantor Latino, que originalmente tinha na letra "Tarcísio me leva que o futuro nos espera". A nova letra diz "Tarcísio a gente te leva que o trabalho te espera, Tarcísio meu governador".
Em seu discurso, o governador disse ter recebido pouco apoio em sua primeira campanha, há quatro anos, ("lá no começo eram nove prefeitos e mais ninguém") e afirmou que, hoje, conta com 600 prefeitos em seu palanque. "Esse voto de confiança jamais será tratado como propriedade de alguém", disse.
Tarcísio também defendeu a privatização da Sabesp, que tem sido criticada pela oposição em meio ao racionamento feito em diversas residências da Grande São Paulo por causa da estiagem. "Tem gente que não se enxerga na propaganda de determinados partidos. Aqui a gente não vive de promessa, a gente vive de resultado", disse.
A reportagem conversou com algumas das pessoas que deixavam o local. Um grupo de mulheres disse que vinha de Mauá, na região metropolitana, e que estava saindo porque a coordenadora do ônibus delas havia chamado. Quando foram questionadas se haviam recebido pagamento para estarem no evento, negaram -mas não quiseram responder outras perguntas.
Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab não compareceu ao evento, embora tenha declarado apoio do partido a Tarcísio no estado -Kassab concorrerá a vice-presidente de Ronaldo Caiado, em uma chapa pura. A ausência reforçou dúvidas de governistas acerca do empenho que a sigla (que tem cerca de 200 dos 645 prefeitos do estado) terá para pedir votos a Tarcísio.
Flávio fez uma fala com elogios a Tarcísio e destacou sua competência. "Enquanto nós temos Tarcísios e Tarcísias, o atual governo tem Dilmos e Dilmas que estão destruindo a nação", disse.
O senador alternou ataques ao PT com a defesa de pautas da direita, como a defesa da redução da maioridade penal. "O mal que ele [menor infrator] faz a uma mulher ou uma criança é um mal grande, então ele tem que responder como gente grande", disse.
ATAQUES A HADDAD
Tarcísio não citou o nome de Haddad, que mais uma vez será o seu adversário nesta campanha, mas fez diversas críticas a ele -em uma delas, disse que o rival "tentou se reeleger prefeito e perdeu no primeiro turno", em referência à derrota do petista à Prefeitura de São Paulo em 2016.
Os ataques nominais a Haddad partiram de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), candidatos ao Senado na chapa de Tarcísio, e do prefeito Ricardo Nunes (MDB), principal aliado do governador.
"Eu vejo o lado de lá só contando mentira o dia inteiro, só contado mentira", disse Derrite, logo no começo de sua fala. "O adversário foi o grande responsável pela criação da bolsa crack, que não ajudou em nada", disse. "Nós todos estamos juntos em um único objetivo, nunca deixar o PT governar o estado de São Paulo. Aqui, não", afirmou Prado, na sequência.
"Depende de nós ganhar no primeiro turno contra aquele que foi o pior prefeito de São Paulo", afirmou Nunes. "O cara que estava no exercício da prefeitura perdeu para brancos e nulos. O pior ministro da Fazenda, que só serviu para ajudar o Paraguai", complementou -faz parte do discurso da campanha de Tarcísio associar a instalação de empresas no país vizinho à gestão Haddad na Fazenda.
O ataque de Nunes foi rebatido pelo presidente estadual do PT, o deputado federal Kiko Celeguim, que disse ser sintomático ver o prefeito usar "desprezo e deboche" para se referir aos professores.
O evento de Tarcísio também foi marcado pela exaltação às mulheres, diante da rejeição sofrida por Flávio entre o eleitorado feminino. Recentemente, o sufrágio feminino tem sido questionado por bolsonaristas, como quando o empresário Paulo Figueiredo, neto do último presidente da ditadura militar, disse em seu canal do YouTube que mulheres votam mal.
Flávio começou seu discurso agradecendo às mulheres presentes, citando Cristiane Freitas, a primeira-dama da cidade de São Paulo, Regina Nunes, Damares Alves e Daniella Marques -em sua própria convenção, na semana passada, ele também se cercou de mulheres no palco. A avaliação de sua equipe é que ele precisa reforçar a busca de votos nesse eleitorado.
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