A cidade de São Paulo registrou recorde de mortes de motociclistas no mês passado. Ao todo, foram 48 óbitos de pessoas que estavam em motos -tanto pilotos quanto passageiros- em acidentes de trânsito nas vias públicas paulistanas em julho.
Nos primeiros sete meses do ano foram 286 casos, também o maior para o período desde 2015, quando começou a série histórica do Infosiga, sistema estadual que mede a letalidade no trânsito.
A estatística disparou no mês em que a gestão Ricardo Nunes (MDB) instalou letreiros e faixas em mais de 2.000 pontos da cidade alertando para a mortes de motociclistas.
À reportagem Nunes chegou a dizer que estavam querendo "uma carnificina" na cidade, após uma autorização judicial que seria derrubada dias depois.
Mortes de pilotos e passageiros crescem diante do aumento da frota. Como mostrou a Folha, o número de emplacamentos de automóveis novos caiu no primeiro semestre na cidade de São Paulo. Por outro lado, o de motocicletas cresceu e o de SUVs disparou.
Conforme levantamento do Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo), a quantidade de motos cresceu 5,7% na comparação dos seis primeiros meses deste ano com o mesmo período do ano anterior (passou de 51.590 em 2025 para 54.529 em 2026).
Em nota, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) diz realizar ações contínuas para ampliar a segurança do sistema viário.
A gestão Ricardo Nunes cita 233,3 km de faixa azul, sinalização exclusiva para motos, em 46 vias, que beneficiam 500 mil motociclistas.
Sérgio Ejzenberg, mestre em engenharia de transportes, lembra que o número de motociclistas mortos na cidade de São Paulo vinha caindo até 2019, mesmo com o aumento da frota. Mas quase dobrou desde então, por haver mais motos nas ruas e, segundo ele, falta de fiscalização de velocidade, de documentação e de habilitação.
"A situação pode piorar com o relaxamento feito pelo governo federal nas exigências para habilitação de condutores", diz.
Ciclistas
Em menor proporção, também cresceu o número de ciclistas mortos no trânsito. Foram cinco no mês passado, mesma quantidade de março, meses com maiores estatísticas no ano. Em 2025, houve uma morte em julho.
Ao todo, de janeiro a julho, 18 ciclistas morreram na capital paulista, quatro a mais que no mesmo período do ano passado. Os números são inferiores aos dos sete primeiros meses de 2024, quando ocorreram 28 mortes.
Na nota, a prefeitura diz que a CET oferece curso para ciclistas aprenderem a pedalar com segurança.
Queda geral
No geral, a letalidade no trânsito paulistano registrou queda de 7,5% no mês passado, na comparação com julho do ano passado --foram 86 casos em 2026 contra 93 em 2025.
Na comparação dos sete primeiros meses, houve estabilidade. Foram 576 óbitos em 2025 contra 575 em 2026. É o terceiro ano de queda seguido.
A maior queda, na comparação entre os meses de julho, foi a de atropelamentos, com 32,4% a menos (34 contra 23).
Mortes no Estado
No total do Estado, houve leve alta de 1,1% na quantidade de motociclistas mortos. Foram 1.578 nos primeiros sete meses do ano.
Quando se comparam apenas os meses de julho, percentualmente o crescimento foi maior, de 14,8% (foram 248 em 2026).
Em nota, o Detran-SP diz monitorar os dados estatísticos de forma contínua e que mantém ações de fiscalização e educação permanentes, visando à redução dos casos e ao aumento da segurança viária em todo o estado.
"O foco das ações são os públicos mais vulneráveis, como pedestres, ciclistas e motociclistas", diz.
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