Anotações feitas pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante reunião da cúpula do partido, na terça-feira (24), revelam estratégias eleitorais e avaliações reservadas sobre aliados e rivais nos estados. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo. O rascunho sugere troca do vice do governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas (Republicanos), e preocupação com a disputa em Minas Gerais.
O documento, intitulado "situação nos estados", reúne nomes cotados para governos estaduais e Senado com observações manuscritas. Flávio confirmou a autoria das notas, mas afirmou que parte dos registros reflete opiniões ouvidas no encontro.
"As anotações que tinham naquele pedaço de papel, não são o que eu penso. As pessoas com quem eu conversei falavam sobre suas impressões, suas opiniões, e eu anotava naquele papel para, num segundo momento, aproveitar ou não o que as pessoas estavam falando para mim", disse.
São Paulo concentra articulações
As anotações tratam especialmente da formação da chapa paulista. O vice-governador Felício Ramuth (PSD), preferido de Tarcísio, aparece ligado a um cifrão. Ramuth é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e nega irregularidades.
Logo abaixo surge a pergunta "André do Prado vice?", numa menção ao presidente da Assembleia Legislativa, filiado ao PL.
Para o Senado em São Paulo, o deputado Guilherme Derrite (PP) é citado como nome da chapa bolsonarista. A segunda vaga, a ser definida pelo PL, traz cinco possibilidades: Renato Bolsonaro - irmão do ex-presidente -, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Ricardo Mello Araújo e Marco Feliciano.
Minas, Pernambuco e Alagoas
Em Minas Gerais, o vice-governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato ao governo, é alvo de ressalva: "me puxa para baixo".
"Se for candidato", segue a anotação sobre Simões, "Cleitinho e Pacheco também são", diz o papel, citando os senadores Rodrigo Pacheco (PSD) e Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) é apontada como apoiada pelo PL. As notas indicam apoio dela ao deputado Mendonça Filho para o Senado. O deputado Coronel Meira apoiaria o arranjo, enquanto "só Gilson não gosta", em referência a Gilson Machado.
Em Alagoas, surgem como possíveis candidatos ao governo o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado Alfredo Gaspar. Ao lado de Gaspar está escrito: "Único que pedirá voto para mim". Para o Senado, há a anotação "Arthur (JB)", sinalizando eventual apoio de Bolsonaro a Arthur Lira.
DF e Mato Grosso do Sul
No Distrito Federal, a formação prevista incluiria Celina Leão ao governo e Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. O rascunho ressalva que "se Ibaneis [Rocha, do MDB] for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina", em referência ao governador Ibaneis Rocha.
No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel é citado como provável apoiado do PL. Para o Senado aparecem Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, com a observação "Recall/melhor nas pesquisas".
Sobre o deputado Marcos Pollon, consta: "Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)".
"Eles sabem que eu não trabalho desse jeito. Quem trabalha com militância não precisa de dinheiro. Isso é uma campanha de assassinato de reputação porque sabem que não estou à venda e não me dobro a acordos", disse.
Também há menção a Gianni Nogueira, esposa do deputado Rodolfo Nogueira. "Mulher Rodolpho (pediu 5 mi)", diz.
"Já está sendo distorcido pela imprensa, como se ele tivesse pedido alguma coisa para deixar de ser candidato. Estava escrito ali: Pollon pediu R$ 15 milhões para não ser candidato. Aquilo nunca aconteceu, a parte da imprensa que estiver falando que ele pediu isso é mentira. [...] Dá a entender que ele teria pedido, mas na verdade eu anotei para avisá-lo de que estavam falsamente divulgando isso", disse.
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