O conglomerado de redes sociais Meta anunciou, nesta terça-feira (5), que começará a analisar altura e estrutura óssea dos seus usuários em fotos publicadas no Instagram a fim de dividir os perfis em faixas etárias. A tecnologia chega a Brasil, Estados Unidos e União Europeia, após testes em Austrália, Reino Unido e Canadá.
Quem tiver menos de 13 anos terá o perfil deletado, como determinam as normas da comunidade das plataformas do grupo. Hoje, a idade nas plataformas da big tech é autodeclarada e a obrigação de verificar a faixa etária dos usuários no Brasil terá início apenas no segundo semestre do ano que vem. A medida, diz comunicado da Meta, é um esforço para garantir que menores de idade tenham experiências seguras e positivas.
A medida serve como resposta a uma série de medidas governamentais para restringir o acesso de menores de idade às redes sociais e a processos judiciais nos EUA que mostraram a estratégia da big tech de se expandir entre jovens.
Com a mesma ferramenta, a Meta colocará usuários com idade entre 13 e 18 anos em contas de adolescentes, que têm mecanismos de supervisão parental, menor exposição à publicidade direcionada e mais restrições a conteúdos nocivos, como referências a suicídio e distúrbios alimentares.
Essa alteração ocorrerá mesmo que o adolescente tenha declarado uma idade de nascimento que o classificasse como adulto.
No Brasil, pesquisa TIC Kids Online mostra que 63% das crianças de 11 e 12 anos no país já acessaram redes sociais. A parcela fica em 33% para a faixa etária entre nove e dez anos.
O mecanismo de IA foi lançado pela Meta no ano passado, pouco antes de o governo australiano colocar em prática a proibição de redes sociais para menores de 17 anos. A experiência inicialmente funcionava com um vídeo gravado pelo próprio jovem.
Pouco após a estreia da ferramenta, jovens começaram a divulgar vídeos com instruções de como driblar o reconhecimento facial, pintando bigodes falsos ou fazendo jogos de luzes.
"A Meta também está expandindo essa tecnologia pela primeira vez para o Facebook nos Estados Unidos, o que será expandido para Reino Unido e Europa em junho", disse a empresa em comunicado.
De acordo com a Meta, a verificação de idade com IA avançada buscará, além das referências visuais, pistas contextuais para determinar se uma conta provavelmente pertence a alguém menor de idade. A forma como o usuário escreve e interage com outros posts será usada como evidência.
Documentos anexados aos autos de um processo contra a Meta nos EUA revelaram que a empresa iniciou, em 2016, uma operação para crescer entre o público jovem, sobretudo nos EUA.
"Mark [Zuckerberg, o CEO da Meta] decidiu que a prioridade zero da empresa é crescer entre adolescentes", afirmou Guy Rosen, o então vice-presidente responsável pela área de segurança. Ele segue na empresa, agora como vice-presidente de cibersegurança.
A litigante, uma mulher de 20 anos identificada como K.G.M., afirmou que as redes da Meta têm um efeito viciantes e causam danos a saúde mental de menores de idade. Ela entrou no Instagram aos nove anos e relatou ter desenvolvido uma relação de compulsão com a plataforma. O juiz decidiu que a plataforma era culpada.
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