O PT discutirá em encontro nacional neste fim de semana em Brasília um documento político abordando diversas questões, entre elas uma crítica ao Judiciário.
Inicialmente, a discussão era sobre aprovar um texto com menção a "promiscuidade entre juízes e empresários". Agora, a tendência é que sejam defendidos no texto "mecanismo de autocorreção".
A provável suavização é parte de um movimento mais amplo da cúpula do partido para retirar temas polêmicos das discussões de seu evento. A ideia é evitar temas que possam causar atrito dentro da sigla ou que tenham potencial para aumentar o desgaste da imagem do presidente Lula (PT), que concorrerá à reeleição em outubro.
Líderes do partido afirmam, porém, que a tendência é que o trecho com palavras mais fortes seja retirado do documento que será votado.
A crítica da versão inicial do documento está ligada ao caso Banco Master, que dragou integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) para dentro do escândalo.
Os principais exemplos são Alexandre de Moraes, cuja mulher, Viviane Barci, lidera um escritório de advocacia que recebeu R$ 80 milhões do Master em dois anos; e Dias Toffoli, que foi sócio, por meio de uma empresa familiar, de um fundo de investimentos ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que era dono do Master.
Um outro texto deverá defender mudanças na Justiça, mas de forma mais concisa e com palavras mais brandas. A alteração no Poder Judiciário seria "visando à democratização, mecanismos de autocorreção e fortalecimento do Estado de Direito".
Nesse novo texto que está em debate, o partido cita diretamente o Banco Master, mas no tópico em que defende uma reforma do sistema financeiro. A sigla está tratando esse documento como uma manifesto, uma versão que sintetiza as principais discussões do encontro petista.
O novo documento em discussão também diz que o escândalo foi "germinado com o aval do governo Bolsonaro e desmascarado pelo governo Lula".
O partido ainda avaliará possíveis alterações. A corrente interna CNB (Construindo um Novo Brasil), de Lula, tem maioria dentro da legenda e deve conseguir manter o conteúdo do manifesto -elaborado principalmente por seus integrantes- com poucas mudanças.
O caso, que abalou a imagem da corte junto ao eleitorado, tem sido explorado por setores de direita que já atacavam o tribunal. Lula e seus aliados buscam uma forma de não deixar seus adversários transformarem o escândalo em uma vantagem para as eleições deste ano.
O STF foi próximo do governo petista ao longo da maior parte do atual mandato do presidente da República, o que aumenta as chances de desgastes do Judiciário atingirem o Executivo.
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