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PT debate reforma do Judiciário para se blindar de crise no STF

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa em evento no STF, ao lado do presidente da Corte, ministro Edson Fachin

PT debate reforma do Judiciário para se blindar de crise no STF
Pedro França/CNJ
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A equipe de campanha de Lula (PT) planeja colocar luz sobre a proposta de reforma do Judiciário mencionada na sexta-feira (4) pelo presidente da República diante da crise que abala o STF (Supremo Tribunal Federal). A ideia é atrelar a sugestão a propostas de contenção de gastos por juízes e procuradores, medidas anticorrupção e um debate sobre a relação de magistrados com empresários.

Candidato à reeleição, Lula e seu grupo político querem assumir a condução do debate sobre mudanças no Judiciário na tentativa de evitar que a campanha seja contaminada pela guerra deflagrada entre ministros do Supremo.

O debate de uma reforma do Judiciário ganhou tração nesta semana, pouco antes de Lula falar publicamente sobre o assunto, na sexta. A ideia discutida pelo petista com aliados como o coordenador de sua campanha, Edinho Silva, e os ministros Sidônio Palmeira (Secom) e Jorge Messias (AGU) é focar na crítica a relações promíscuas entre juízes e empresários.

O petista deverá defender um código de ética para o Judiciário, fruto de uma reforma a ser construída em uma espécie de pacto entre os poderes. Lula tem dito em conversas que não pretende que o tema seja debatido às pressas, mas produto de uma concertação a exemplo da reforma realizada em seu primeiro governo.

Ele tem dito que um ministro de tribunal superior não pode almejar a fortuna na função. Se quiser enriquecer, deve permanecer na advocacia. Segundo aliados, a ideia poderá ser acompanhada da defesa de uma reforma política.

A ideia do código de ética é defendida pelo presidente do STF, Edson Fachin. A avaliação de aliados do chefe do governo é que a pauta da reforma do Judiciário ganhou força junto a Lula depois de uma conversa entre ele e Fachin.

Lula resiste à possibilidade de divulgar propostas detalhadas sobre o tema, até porque essa não é uma atribuição do Executivo. A ideia é apresentar diretrizes, como transparência, participação popular e fiscalização.

Ainda assim, integrantes da campanha avaliam a possibilidade de apresentar a defesa de uma reforma do Judiciário associada ao fim dos supersalários de juízes e procuradores.

Interlocutores de Lula no mundo jurídico afirmam que o presidente apenas abriu o debate sobre o assunto, que é natural que aliados apresentem ideias ao petista e que o processo eleitoral poderá ser um acelerador da discussão.

"Tenho certeza que faremos, para o próximo ano, uma discussão profunda sobre a necessidade de uma nova reforma no Poder Judiciário brasileiro para que o povo possa continuar acreditando na Justiça", disse o petista.

Lula já havia defendido mudanças no funcionamento do Judiciário em outras ocasiões. Em fevereiro deste ano, por exemplo, ele indicou ser a favor de um tempo de mandato para ministros do STF —hoje, eles podem ficar no cargo até os 75 anos.

O Supremo está sob pressão por causa do escândalo do Banco Master desde o ano passado, mas a crise escalou na última semana. Foi revelado que Daniel Vorcaro, dois dias antes de ser preso prestes a viajar para o exterior, perguntou a Moraes se deveria fugir do país. Além disso, o ministro editou um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Master.

Petistas receiam uma contaminação da campanha de Lula pelo escândalo no STF principalmente por dois motivos. Primeiro porque o debate eleitoral sobre a corrupção costuma desfavorecer o partido, marcado pelos casos do mensalão e da Lava Jato. Além disso, Lula manteve uma relação de proximidade com ministros do Supremo, incluindo Moraes, ao longo do atual mandato, o que facilitaria uma associação da imagem do chefe do governo com o escândalo.

Inicialmente, a ideia era que Lula só falasse sobre o assunto caso fosse perguntado em entrevistas. Um dia depois dessa decisão ser tomada, porém, o chefe do governo divulgou um vídeo no qual cobrou uma solução do STF e da PGR (Procuradoria-Geral da República) e defendeu que todos os envolvidos fossem investigados.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Caio Spechoto e Catia Seabra | da Folhapress)
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