Um ano após a repercussão da proposta de teleférico para Brasilândia, na zona norte, a Prefeitura de São Paulo contratou a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) para a avaliação e estruturação econômico-financeira de uma possível implantação desse novo modo de transporte coletivo.
A análise vai englobar também o chamado "Bonde São Paulo", um projeto de VLT (veículo leve sobre trilhos) elétrico anunciado para o centro e previsto no Plano de Metas da gestão Ricardo Nunes (MDB).
O contrato foi firmado na segunda-feira (9), no valor de R$ 1,9 milhão (do qual R$ 700 mil para o teleférico), com prazo de 14 meses.
À época, o prefeito respondeu a jornalistas, contudo, que se trata de uma situação "específica", ligada ao relevo da Brasilândia, em que moradores precisam se locomover por vielas e escadões.
Em nota à reportagem, a prefeitura afirmou que o projeto está em "fase preliminar de estudos técnicos". "O objetivo é avaliar possíveis alternativas de mobilidade urbana sustentável para a região, sem que haja, até o momento, decisão administrativa sobre sua implantação", disse.
A nota também aponta que a atual etapa analisa "características como a topografia da região, a demanda potencial de deslocamentos e possíveis formas de integração com o sistema de transporte existente". Além disso, respondeu que os recursos para programas de ampliação e manutenção do sistema cicloviário seguem mantidos, sem alterações.
Ambas as propostas são voltadas ao transporte coletivo de passageiros. A Fipe será responsável por estimar custos de implantação e operação, dimensionar possíveis financiamentos e subsídios necessários e analisar modelagens de contrato, como por meio de concessão pública ou Parceria Público-Privada (PPP). A avaliação inclui, ainda, tarifas, demanda de passageiros, receitas e cronograma.
No estudo técnico preliminar, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte justifica que o projeto do teleférico busca "atender às diretrizes de diversificação dos modais de transporte e promoção da mobilidade sustentável previstas no Plano Diretor (...), especialmente em áreas com topografia acidentada ou de difícil acesso".
A implantação de teleférico também está nos planos da Prefeitura de Salvador, no Planejamento Estratégico da gestão Bruno Reis (União Brasil). O projeto contempla 4,3 quilômetros de extensão, com quatro estações, três anos de obra e 23 mil passageiros por dia.
No fim de fevereiro, o município se reuniu com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) para debater um estudo sobre modelos de negócios. O custo estimado é de R$ 520 milhões.
Na última década, contudo, problemas na experiência no Rio de Janeiro trouxeram questionamentos, contudo. O serviço chegou a ser interrompido por anos na Providência e, neste ano, deve voltar no Complexo do Alemão.
Para São Paulo, a prefeitura chegou a estimar um custo de R$ 1 bilhão, para trajeto de 4,5 quilômetros. O caminho ligaria o entorno do CEU (Centro Educacional Unificado) Paz, na parte mais alta, e as proximidades da futura Estação Brasilândia, da linha 6-laranja.
Segundo o Plano de Metas, o VLE do centro deve atender mais de 130 mil pessoas por dia, com duas linhas e cerca de 12 quilômetros de extensão. O objetivo é iniciar as obras ainda na gestão Nunes.
Comentários: