O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), renunciou ao mandato nesta quinta-feira (5). Em ofício encaminhado à Câmara Municipal, ele afirmou que deixa o cargo para disputar o Governo do Amapá nas eleições de outubro, conforme a exigência constitucional de afastamento até seis meses antes do pleito para candidatos que ocupam cargos no Executivo.
Nesta quarta (4), ele foi afastado do cargo por 60 dias, em uma investigação sobre suspeitas de um esquema de fraude a licitação no âmbito de contrato firmado pela Secretaria Municipal de Saúde da capital do Amapá.
O presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro da Lua (União Brasil), assumiu a prefeitura durante o afastamento do prefeito e do vice.
No documento, Furlan diz que a decisão foi motivada por "anseio público" identificado em pesquisas de intenção de voto que, segundo ele, apontariam sua candidatura ao governo estadual.
"Minha decisão está pautada num anseio público, que vem sendo materializado em inúmeras pesquisas de intenção de voto, que anseiam minha candidatura ao cargo de Governador do Estado do Amapá, no pleito de 2026", escreveu.
Furlan é considerado rival político do senador Davi Alcolumbre (União Brasil) no Amapá. O prefeito deixou o MDB na terça-feira (3) para ingressar no PSD.
Na operação, houve busca em endereços ligados ao prefeito, aos servidores e sócios da empresa Santa Rita Engenharia.
As investigações apontam, segundo a PF, suspeitas da existência de um esquema criminoso que envolveria agentes públicos e empresários que direcionaram licitações, desviaram recursos públicos e lavaram dinheiro.
São investigados recursos federais provenientes de emendas parlamentares transferidos ao município entre 2020 e 2024. Segundo relatório da Controladoria-Geral da União citado na decisão do ministro, Macapá recebeu cerca de R$ 128,9 milhões por meio dessas transferências especiais, parte delas relacionadas à construção do Hospital Geral Municipal.
Nas redes sociais, Furlan sugeriu perseguição política, declarou-se pré-candidato ao governo e falou em "ataques, perseguições e atrasos".
Esta foi a terceira vez que a Polícia Federal realiza uma operação contra o prefeito de Macapá.
Em 2024, próximo das eleições municipais, ele foi alvo após indícios de fraude na execução da obra de urbanização e paisagismo na orla da cidade. Ele disse, na época, ser vítima de perseguição da oposição. A outra ocasião ocorreu em 2022, quando a esposa de Furlan, Rayssa Furlan (Podemos), concorria a uma vaga no Senado contra Alcolumbre.
Nascido na Costa Rica, Furlan é filho de brasileiros e naturalizado. Ele é médico e já foi eleito deputado estadual amapaense em 2014 e 2018, antes de se tornar prefeito em 2020, ao derrotar o irmão de Alcolumbre, Josiel (União Brasil), em meio à pandemia da Covid-19.
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