Um projeto de lei apresentado por seis deputados chilenos propõe que médicos ofereçam às mulheres a oportunidade de ouvir os batimentos cardíacos do embrião ou do feto antes da interrupção da gravidez nos casos permitidos pela legislação do país.
A proposta, denominada "Escuta eu coração", foi protocolada em 25 de junho e está em análise inicial no Congresso. O texto é assinado por parlamentares do Partido Nacional Libertário, do Partido Republicano, legenda do presidente José Antonio Kast, e por uma deputada da Renovação Nacional.
Desde 2017, o aborto é permitido no Chile em três situações: risco de vida para a gestante, inviabilidade fetal e gravidez resultante de estupro. O projeto prevê que, antes do procedimento, o médico informe se há atividade cardíaca detectável, conforme a idade gestacional, e ofereça verbalmente à paciente a possibilidade de ouvir os batimentos com os recursos técnicos disponíveis. A mulher poderá recusar a oferta, e a decisão deverá ser registrada no prontuário.
O projeto recebeu críticas de opositores. A ex-ministra da Mulher e Equidade de Gênero Antonia Orellana classificou a proposta como uma "crueldade legislativa" e afirmou que a medida impõe sofrimento adicional a mulheres que enfrentam gravidez por estupro, inviabilidade fetal ou risco à própria vida.
Já o deputado Cristóbal Urruticoechea, um dos autores da proposta, criticou a legislação que autorizou o aborto nas três hipóteses e defendeu novas iniciativas para restringir a prática.
Com informações do El País.
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