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PCC está ligado a três nomes em lista de alvos da Carbono Oculto

Até o início da tarde desta quinta-feira, 6 dos 14 alvos das operações foram presos por agentes da PF; há suspeita de um possível vazamento das operações

PCC está ligado a três nomes em lista de alvos da Carbono Oculto
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O líder de um grupo empresarial que atua em toda a cadeia produtiva do setor de combustíveis, um homem investigado há anos por suspeita de financiar o tráfico de drogas e o dono de redes de lojas de conveniência e postos de gasolina são as figuras centrais associadas ao PCC (Primeiro Comando da Capital) na Operação Carbono Oculto.

Deflagrada nesta quinta-feira (28), a investigação apontou a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e no mercado financeiro. Entre centenas de investigados, uma decisão judicial aponta nove pessoas físicas e 68 pessoas jurídicas que se destacaram no esquema criminoso por causa dos papéis que desempenharam.

A relação de nomes consta num documento da 2ª Vara Criminal de Catanduva, que avaliou as provas e os pedidos apresentadas por promotores do Ministério Público de São Paulo. Na lista das nove pessoas, há três com vínculo à facção criminosa paulista descrito explicitamente: Mohamad Hussein Mourad, José Carlos Gonçalves (vulgo "Alemão") e Ricardo Romano.

A sigla PCC aparece 39 vezes na decisão judicial, que autorizou as ações de busca e apreensão e os bloqueios de bens e valores dos investigados. Há outras pessoas associadas à facção no documento, mas em contextos indiretos ou sem papel considerado central no esquema investigado na vara de Catanduva -outras investigações relacionadas à Carbono Oculto tramitaram em varas diferentes.

Mohamad Hussein Mourad

Mourad é considerado um dos principais operadores do esquema criminoso, que envolveria fraudes fiscais, fraudes contábeis, estelionato e lavagem de dinheiro, entre outros delitos que estão sendo investigados. Procurado, um advogado dele afirmou que não teve acesso aos autos e decidiu não se manifestar.

Segundo os promotores, Mourad administra uma rede de empresas -o que inclui usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras, produção e refino, terminais de armazenamento, redes de postos de combustíveis, conveniências e padarias- que serve para ocultar a origem e o destino de dinheiro ilícito.

Ele já havia sido alvo da Operação Cassiopeia, que investigou fraudes fiscais e contábeis na empresa formuladora de combustíveis Copape e sua distribuidora, a Aster. "Foram identificados fortes laços do grupo de Mohamad Hussein Mourad com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), especialmente através das redes de postos e distribuidoras", diz a decisão judicial que autorizou a operação.

Depois de se tornar alvo da investigação, segundo os promotores, Mourad teria começado a constituir empresas em nome de laranjas. A investigação também aponta que a circulação do dinheiro dele e de sua família era camuflada com empresas de fachada sem finalidade econômica real, com duplicidade de CNPJs, sob titulares diversos e que incongruências contábeis e fiscais -"todos sinais evidentes de instrumentalização para lavagem de capitais", segundo a investigação.

Ricardo Romano

Romano é considerado pela investigação como "figura-chave" para a lavagem de dinheiro ligada a empresas de Mohamad Mourad. A Receita Federal apontou diversas declarações fiscais falsas que Romano confeccionou, aparentemente para justificar a aquisição de postos de combustíveis e transações tributárias.

A investigação diz, ainda, que Romano e a irmã utilizaram uma rede de empresas fictícias para ocultar a relação que mantinham com o grupo de empresas de Mourad. Ele teria aberto 18 empresas do ramo de lojas de conveniência, chamadas "Strawberry Lojas de Conveniencias Ltda", e a suspeita é que essas empresas também teriam servido para lavagem de dinheiro.

Em setembro do ano passado, Romano foi denunciado sob acusação de sonegação fiscal de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em empresas do ramo de sucata, em Guarulhos. No entanto, até fevereiro deste ano ele não havia sido localizado por oficiais de Justiça nem constituído advogado no processo.

A Folha de S.Paulo conversou com uma advogada que representa Romano em outro caso, que afirmou que não poderia falar em seu nome sobre as acusações da Carbono Oculto. A reportagem não conseguiu localizá-lo.

José Carlos Gonçalves, o Alemão

Gonçalves, segundo os promotores, "possui ligações fartas com o PCC e é suspeito de atuar como financiador do tráfico e na lavagem dos recursos respectivos". Ele e seus familiares têm participação societária em redes de postos de combustível que são alvo da Carbono Oculto.

Segundo os promotores, a família de Alemão também teria repassado postos de combustíveis para Ricardo Romano. A investigação diz ainda que Gonçalves foi sócio de Gritzbach, mas não explica em que contexto isso ocorreu. A reportagem não conseguiu localizar José Carlos Gonçalves ou sua defesa.

Entenda a Carbono Oculto

A Carbono Oculto é considerada a maior operação contra o crime organizado da história do país em termos de cooperação institucional e amplitude, segundo a Receita Federal.

Até o início da tarde, apenas 6 dos 14 alvos das operações foram presos. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que há suspeita de um possível vazamento das operações.

Apurou-se que a organização criminosa trabalha com metanol, nafta, gasolina, diesel e etanol. Controla elos da estrutura portuária, a formulação e o refino. Tem frota para transporte e distribuição, postos de abastecimento e, inclusive, loja de conveniência.

A Receita Federal apurou que mais de mil estabelecimentos vinculados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet
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