O El Niño tem 81% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, cenário que amplia o risco de inundações, secas, ondas de calor e incêndios florestais no Brasil, segundo boletim elaborado por sete órgãos federais.
O fenômeno deve se intensificar ao longo do segundo semestre de 2026. As projeções indicam que o El Niño permanecerá ativo pelo menos até o início de 2027 e poderá apresentar anomalias de temperatura superiores a 2°C nas águas superficiais do Pacífico Equatorial entre a primavera e o começo do verão.
A previsão para o trimestre de agosto a outubro aponta chuvas acima da média no Sul e abaixo da média em grande parte do centro-norte do país. As temperaturas devem ficar acima do normal em praticamente todo o território nacional, favorecendo episódios de calor extremo, baixa umidade e queimadas.
Embora se forme no Oceano Pacífico, o El Niño altera a circulação atmosférica e a distribuição das chuvas em diferentes partes do planeta. No Brasil, seus efeitos variam conforme a região e podem ser influenciados por outros sistemas meteorológicos.
A intensidade do El Niño não determina, sozinha, a gravidade dos efeitos no Brasil. O painel ressalta que a distribuição e a dimensão dos impactos dependerão da evolução das condições atmosféricas e oceânicas durante os próximos meses.
O principal risco para a região Sul é a ocorrência de grandes inundações. Diferentemente do cenário registrado no começo do El Niño de 2023, a região praticamente não apresenta déficit hídrico a ser reposto, o que aumenta a possibilidade de cheias diante de novos períodos de chuva intensa.
Santa Catarina e Rio Grande do Sul poderão registrar vazões entre a média e acima da média em agosto. A projeção indica maior risco de cheias nos dois estados.
O número de municípios em situação de seca severa aumentou de 38 para 55. O dado parcial considera o trimestre de maio a julho e representa uma piora em comparação com o período imediatamente anterior, de abril a junho.
O Nordeste começa o atual fenômeno em situação mais desfavorável do que em 2023. A seca moderada alcançava cerca de 40% da região em junho deste ano, ante 10% no mesmo mês de 2023, com possíveis efeitos sobre o abastecimento, a agricultura e a disponibilidade de água para a pecuária.
Na região Norte, a estiagem está em desenvolvimento, mas a maioria dos rios ainda apresenta níveis próximos da normalidade. Sem reposição significativa das chuvas, porém, os níveis e as vazões poderão apresentar quedas mais intensas nas próximas semanas, comprometendo diferentes usos da água.
No Sudeste, 76% da região estava sob algum nível de seca em junho. O percentual é superior ao registrado no mesmo período de 2023, e o quadro poderá se agravar rapidamente caso a próxima estação chuvosa atrase ou tenha volumes insuficientes.
O risco de fogo deve aumentar principalmente no Centro-Oeste e no Norte entre agosto e outubro. As áreas classificadas como de alerta alto avançam sobretudo sobre Mato Grosso e grande parte da região amazônica.
O tempo seco poderá favorecer a colheita do milho de segunda safra e do algodão no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No Centro-Oeste, a previsão também é favorável à colheita do sorgo e das lavouras mais tardias. Em contrapartida, a falta de chuva e as temperaturas elevadas podem aumentar a demanda por irrigação, prejudicar pastagens e dificultar a preparação da próxima safra.
No Sul, a maior disponibilidade de água pode beneficiar as culturas de inverno e o plantio de milho e soja. Chuvas persistentes ou muito volumosas, porém, aumentam o risco de doenças provocadas por fungos, atrasos na colheita e replantio em áreas atingidas.
A população deve acompanhar os alertas oficiais e conhecer os locais seguros e as rotas de fuga da região onde vive. A Defesa Civil também recomenda manter atualizado o cadastro para o recebimento de avisos sobre eventos extremos.
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