O laudo pericial feito pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão Orelha não identificou a causa da morte do animal e mostrou que não foi "constada fratura ou lesão que pudessem ter sido causadas por ação humana, nem mesmo no crânio".
A falta de fraturas não implica ausência de ação contundente contra a cabeça do cão, afirmaram os peritos. O laudo de 19 páginas, obtido pelo UOL, é parte de uma série de novos pedidos de informações feitos pelo Ministério Público de Santa Catarina.
"Assim, é plenamente plausível que o animal tenha sofrido um trauma contundente em cabeça em um dia e piorado clinicamente de forma progressiva até o outro. O aparecimento dos efeitos secundários depende de uma resposta individual do animal, tipo de instrumento utilizado, velocidade do golpe, idade do animal, entre outros", diz o laudo.
Laudo negou possibilidade de ter sido cravado um prego na cabeça do animal. Hipótese foi veiculada em redes sociais e em veículos de comunicação. Mas, segundo o documento, não foi constatado qualquer vestígio que sustente tal hipótese. "A penetração de um prego na cabeça do animal deixaria uma fratura circular em crânio, o que não se verificou".
Todos os ossos do animal foram minuciosamente examinados visualmente, segundo os peritos. Os profissionais destacaram também limitações importantes para a realização do trabalho, já que o cão estava em fase de "esqueletização"."Assim, o exame se limitou à minuciosa avaliação óssea dos remanescentes mortais", diz o documento.
No exame, eles dizem ter constatado "uma área de porosidade óssea" na região maxilar esquerda do crânio do animal. Os peritos afirmaram que o processo seria crônico, "não havendo qualquer relação com a ação traumática à qual o animal foi submetido, já que entre a ação traumática e o óbito houve o transcurso de apenas um dia".
"Em coluna vertebral constatou-se abundante presença de osteófitos ventrais e laterais no corpo das vértebras, compatíveis com espondilose deformante, uma doença degenerativa crônica. Trata-se de um achado comum em animais idosos e que nada se relaciona com eventual trauma recente",disse laudo da Polícia Científica.
Internação de adolescente
Polícia Civil de Santa Catarina pediu a internação de um adolescente e indiciou três adultos por coação de testemunhas. A corporação, que informou ter investigado oito adolescentes suspeitos, não divulgou a identidade de nenhum dos envolvidos.
"Por conta da gravidade do caso Orelha, a polícia pediu a internação do adolescente, que é equivalente a uma prisão de adulto. Ainda, com a conclusão da extração e análise dos dados dos celulares apreendidos, serão corroborados elementos probatórios já obtidos, bem como levantadas eventuais outras informações sobre o caso", disse a Polícia Civil de Santa Catarina, em nota.
Um familiar teria tentado esconder um boné rosa e um moletom do garoto, usados no dia do crime. Além disso, segundo a Polícia Civil, ele tentou justificar a compra do casaco na viagem à Disney, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça.
Defesa de um dos adolescentes diz que elementos apresentados não constituem prova. Em nota ao UOL, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte informam que as investigações são "frágeis e inconsistentes", o que "prejudica a verdade". A defesa também reitera que o adolescente representado é inocente e que os defensores ainda não tiveram acesso integral ao inquérito.
Ministério Público catarinense também vai investigar a conduta do agora ex-delegado-geral da Polícia Civil do estado, Ulisses Gabriel, na investigação do caso. O órgão abriu o procedimento após receber "diversas" representações contra a conduta de Ulisses no caso Orelha. O número exato de representações não foi divulgado pelo órgão. Em nota, Ulisses afirmou estar "absolutamente tranquilo" com a apuração e disse confiar no MPSC.
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