As forças de segurança prenderam 21.756 pessoas por crimes relacionados à violência contra a mulher em 2026, em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais no âmbito de duas operações com mobilização nacional. Apesar disso, o país ainda tem 9.032 mandados de prisão em aberto.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram registradas 17.266 prisões em flagrante e 4.490 por cumprimento de mandados de prisão durante a primeira e a segunda fases da Operação Mulher Segura, que alcançou 4.379 municípios em todas as unidades da federação.
A primeira fase ocorreu de 19 de fevereiro a 5 de março e a segunda, de 1º de junho a 27 de julho. Parte dos dados foi apresentada pelo ministério nesta quarta-feira (29), durante evento no Centro Integrado Mulher Segura. A estrutura foi criada para integrar, coordenar e monitorar a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência em todo o país.
Entre os registros de prisão há um caso de vicaricídio, crime cuja tipificação foi aprovada pelo Congresso neste ano, em que o agressor atinge ou mata uma pessoa ligada à mulher, como filhos, parentes ou dependentes, com o objetivo de provocar sofrimento emocional, exercer controle ou puni-la.
Já os dados obtidos pela reportagem mostram que o país ainda tem 9.032 mandados de prisão em aberto relacionados à violência contra a mulher. A maior concentração está em São Paulo (21,1%), seguido por Minas Gerais (7,1%), Paraná (6,8%), Maranhão (5%) e Bahia (4,8%).
Segundo o secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a prisão de agressores é um fator fundamental para o combate da violência contra a mulher. A principal dificuldade está no cumprimento de mandados de prisão antigos, cujos foragidos muitas vezes já levam outras vidas.
Para superar isso, o governo está enriquecendo o Banco Nacional de Mandados de Prisão com dados de endereços públicos e informações de parceiros privados e financiando policiais especificamente para o cumprimento desses mandados por meio de diárias na Operação Mulher Segura.
"Graças ao enriquecimento da base de dados e à integração entre órgãos foi possível prender no interior do Nordeste um homem que havia cometido um homicídio [que atualmente é classificado como feminicídio] há mais de 20 anos em São Paulo", disse.
Horas depois, também nesta quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou documentos voltados à proteção das mulheres.
Ele sancionou o projeto de lei que cria o pagamento automático de pensão, conhecido como Pix Pensão, e uma proposta sobre divulgação de serviços telefônicos para denúncias de violência contra a mulher. Além disso, assinou decretos relacionados ao Sistema Integrado Mulher Segura e à monitoração eletrônica de agressores.
Diante desse cenário, o governo federal tem ampliado os esforços para tentar conter esse tipo de crime. Neste ano, lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa que busca fortalecer a rede de proteção às vítimas e aprimorar a resposta do estado à violência de gênero.
"Ainda que não tenhamos alcançado os números ideais, aqueles que desejamos, há um dado importante: a curva de crescimento observada nos últimos dez anos foi revertida para uma pequena queda de 2,5%", disse o secretário durante o evento.
O evento contou com a presença dos ministros Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), Márcia Lopes (Mulheres), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), Alexandre Padilha (Saúde) e Leonardo Barchini (Educação), José Guimarães (Relações Institucionais).
A agenda também teve a primeira-dama Janja Lula da Silva, a deputada Gleisi Hoffmann e diversos membros do Ministério da Justiça.
"Nós colocamos no centro da discussão [tema de violência contra a mulher], colocamos na mesa a vida das mulheres, colocamos a questão do 'basta' no centro da discussão do país", disse a primeira-dama.
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