Moradores do centro e de bairros periféricos relatam rotina de estresse, falta de descanso e cobram providências contra o barulho ensurdecedor que invade as residências até o final da noite.
A busca por tranquilidade virou um desafio diário para os moradores de Pirajuí. Quem reside na região central e em alguns bairros da cidade convive com uma rotina de incômodo que parece não ter fim. O motivo? O barulho estridente e constante de motocicletas com escapamentos adulterados e, mais recentemente, de bicicletas adaptadas com motores barulhentos, conduzidas por adolescentes.
O cenário de poluição sonora, que antes se concentrava em horários específicos, agora se estende por quase todo o dia. De manhã, à tarde e avançando pela noite, o ruído rompe a barreira do suportável e afeta diretamente a qualidade de vida e a saúde mental da população local.
O novo tormento das bicicletas motorizadas
Se o problema com as motocicletas já era antigo, a situação ganhou um novo e irritante capítulo. Adolescentes da cidade passaram a adaptar motores em bicicletas comuns, transformando os veículos em fontes ambulantes de ruído. Eles circulam diariamente pelas ruas centrais e avançam pelos bairros, ignorando o impacto do barulho na vizinhança.
Uma dona de casa moradora do centro, que preferiu manter o anonimato por segurança, expressou sua indignação com a falta de sossego:
"O barulho dessas bicicletas é horrível! Seja de manhã ou à tarde; nos finais de semana ou durante a semana. Eles nos tiram a paz. Eu não suporto mais o barulho de duas bicicletas motorizadas conduzidas por adolescentes que circulam por aqui."
Motos barulhentas até as 23 horas
Somado ao novo fenômeno das bicicletas, o velho problema das motos com escapamentos modificados — os chamados "escapamentos abertos" ou "estraladores" — continua a castigar os pirajuienses há vários meses.
O abuso do ruído não poupa os dias úteis e se estende, frequentemente, até por volta das 23 horas. Entre os veículos barulhentos, os moradores apontam que estão inclusive motocicletas de entregadores, que cruzam o centro em alta velocidade para cumprir rotinas de delivery, gerando um estrépito insuportável no período em que as famílias tentam recolher-se para o sono.
Direito ao descanso violado
Para quem trabalha e precisa acordar cedo, a atual conjuntura das ruas de Pirajuí tem se transformado em um teste de resistência física e emocional. Os relatos colhidos pela reportagem convergem para o mesmo sentimento de impotência diante da falta de fiscalização eficaz.
"A maioria dos moradores trabalha e chega cansada do serviço. Queremos descansar porque temos de acordar cedo no dia seguinte. Mas descansar de que maneira com essas motos barulhentas à noite?", desabafa outro morador do centro, que também pediu para não ser identificado.
Prática irregular
A prática é considerada irregular. A Resolução nº 996/2023 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) determina que veículos com instalação de sistema de propulsão a partir de estruturas como quadros de bicicletas devem seguir critérios específicos para fabricação artesanal, o que não se aplica a adaptações caseiras.
Bicicletas adaptadas com motor não se enquadram automaticamente como ciclomotores. Desta forma, os modelos artesanais devem seguir a Resolução número 699/2017, que exige projeto assinado por engenheiro, registro, licenciamento, emplacamento e o CSV (Certificado de Segurança Veicular).
É importante frisar que os condutores que instalam kits com motores de 80 a 100 cilindradas por conta própria estão cometendo uma irregularidade grave porque nesse caso, o veículo passa a ser considerado uma motocicleta, exigindo habilitação na categoria A e toda a regularização prevista em lei.
Comentários: