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Mulher que se passou por criança pode ter feito vítimas no PR

Amanda Maria Souza de Oliveira foi reconhecida por supostas vítimas de outros casos semelhantes

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Presa no último dia 2 em Joinville (SC) após enganar uma família por 14 meses, Amanda Maria Souza de Oliveira foi reconhecida por supostas vítimas de outros casos semelhantes em Colombo e Campina Grande do Sul, cidades da região metropolitana de Curitiba.

A prisão da mulher que fingia ter 12 anos em Santa Catarina fez a Polícia Civil do Paraná retomar as investigações do caso de Colombo, onde chegou a ser feito um registro formal às autoridades.

A apuração sobre a denúncia de estelionato estava parada. Mas, com as novas informações, a polícia paranaense intimará supostas vítimas para confirmação de golpes. Em Campina Grande do Sul, não houve registro de boletim de ocorrência.

O advogado de Amanda, Rafael Siewert, diz que a defesa identificou elementos que justificam o pedido de um exame de sanidade mental, "para avaliação de sua condição psíquica".

Presa preventivamente, ela passará por perícia até o fim de junho, o que "poderá contribuir para o adequado esclarecimento das circunstâncias relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis", diz ele.

Uma professora diz ter sido enganada durante a pandemia e uma casa de acolhimento recebeu a falsa criança por uma semana em 2020. Nas duas situações, a mulher, que atualmente tem 38 anos, dizia ter 12.

Em Campina Grande do Sul, a rede de proteção do município diz ter reconhecido Amanda pelas fotos que passaram a circular na imprensa após sua prisão neste mês.

Ela teria chegado à cidade em 16 de novembro de 2020, dizendo ter pegado carona com um caminhoneiro em Fortaleza para fugir do pai, dono de um bordel em que explorava ela e sua mãe.

A falsa adolescente procurou ajuda em uma igreja evangélica, que acionou o Conselho Tutelar. Apresentando o nome de Júlia, teria dito que a mãe tinha morrido havia pouco tempo e que tinha fugido só com a roupa do corpo, mostrando hematomas e marcas de queimaduras de cigarro na pele.

"Ela não aparentava ter 12 anos, mas a história e o horror que trazia nos relatos de vida faziam a gente acreditar e acolher", disse a coordenadora do abrigo, Evelyn Moraes.

A presidente do local, Andreia Ramos, conta que começaram a desconfiar já no segundo dia. "Nos chamou a atenção o fato de ela não querer estar perto dos outros adolescentes, apenas das crianças pequenas."

O secretário de Desenvolvimento Social de Campina Grande do Sul, Felipe Veiga, confirma o acolhimento da mulher pela rede de proteção municipal da época, assim como histórias apresentadas por ela, "muito semelhantes às que contou em Santa Catarina".

Ele afirma que a falsa idade foi descoberta no hospital e a polícia acabou acionada. "Mas ela fugiu antes da chegada dos policiais."

Grupo de orações

Em Colombo, o contato foi virtual, em 2021, segundo um grupo de orações. A mulher teria relatado ter câncer em estado terminal, pedindo para morrer.

"Ela entrou ao vivo, pegou a gente de impacto e eu mordi a isca. Entrei em contato com a mãe, que era ela mesma, para ajudar. Foi aí que começou tudo", conta a professora Tatiane Silva, que mais se envolveu com a mulher, que também dizia ter 12 anos.

Tatiane estava fragilizada pela recente morte da cunhada grávida, vítima da Covid. Por isso, diz ter acreditado na história da suposta adolescente com leucemia. A professora afirma que a suspeita usava o nome de Emily, se conectava todas as noites com o grupo e até rezava o terço para pedir sua cura.

Para fingir a idade, a mulher supostamente usava filtro de imagem, estava sempre de touca e máscaras. Sua voz era infantilizada, seus jeitos de criança e suas histórias muito tristes, envolvendo abandonos e abusos, conforme os relatos.

"Emily" passou a fazer parte dos momentos felizes da família da professora, como aniversários e comemorações.

A farsa só começou a ser descoberta quando a menina mentiu que tinha amputado o braço, mas o deixou aparecer em um momento do vídeo. Pouco tempo depois, veio o pedido de Pix. Foi então que o grupo decidiu ir atrás dela e descobriu a mentira.

Reabertura do inquérito

A advogada do grupo, Caroline Rangel, disse que, após os reconhecimentos feitos pelas vítimas, ela solicitou a retomada do inquérito pela Delegacia de Colombo, que apurava a denúncia de estelionato.

"Com o surgimento de novas informações a partir da prisão em Santa Catarina, a Polícia Civil do Paraná intimará as vítimas de Colombo para que façam o procedimento de reconhecimento da suspeita."

No caso recente de Joinville, Amanda foi denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina por estelionato e falsa identidade.

Segundo as investigações em Santa Catarina, Amanda teria adotado condutas similares no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e em duas cidades catarinenses, estado onde responde a uma ação penal.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Mauren Luc | da Folhapress)
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