Uma mulher perdeu totalmente a visão do olho esquerdo e teve redução severa da capacidade visual do olho direito após esperar mais de quatro anos por um exame e outros seis meses por uma cirurgia pelo SUS. A Justiça condenou o município de Imaruí, no Sul de Santa Catarina, a pagar R$ 50 mil por danos morais.
Em julho de 2018, a paciente recebeu indicação para realizar retinografia fluorescente devido à suspeita de retinopatia diabética. Classificada como caso de baixa prioridade, ela entrou na fila do SUS e fez o exame apenas em novembro de 2022, quatro anos e quatro meses depois.
O exame confirmou retinopatia diabética proliferativa, edema macular, isquemia retiniana e hemorragia vítrea. A cirurgia de vitrectomia foi realizada em junho de 2023, após mais seis meses de espera.
A perícia registrou cegueira total no olho esquerdo e limitação visual severa no direito. O tratamento mais precoce poderia ter reduzido a extensão da perda visual.
Na sentença, o magistrado considerou que a demora reduziu as possibilidades de melhora e resultou em sequelas permanentes. Além dos R$ 50 mil, o município deverá pagar juros e correção monetária. A decisão ainda pode ser contestada.
A Prefeitura de Imaruí informou que respeita a decisão, mas pretende recorrer. O município questiona a responsabilidade pela regulação e pelo tempo de espera no SUS, além da relação entre a demora e o agravamento da doença.
Com informações do ND Mais.
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