O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, diz que a influenciadora Deolane Bezerra tem uma relação direta e íntima com a família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Ela foi presa em operação nesta quinta-feira (21) e transferida para uma cadeia no interior do estado nesta sexta-feira (22).
À Folha de S.Paulo Gakiya afirma que ficou evidenciado ao longo da investigação que resultou na operação Vérnix a relação próxima de Deolane com os integrantes da cúpula da facção.
O promotor, que está na Europa a convite de autoridades que investigam tráfico internacional de drogas e o crime organizado, aponta que Deolane teria fornecido contas para a lavagem de dinheiro do grupo criminoso, o que é negado por sua defesa.
"Nos causou estranheza pelo aumento repentino do seu patrimônio em ganhos superiores a R$ 140 milhões em dois anos (entre 2020 e 2022). Já está provado que os ganhos são incompatíveis com as atividades que ela realiza. Ela será denunciada por mim por participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro", afirma Gakiya.
A proximidade de Deolane seria maior com Paloma Camacho, sobrinha de Marcola. A polícia tentou prendê-la na Espanha nesta quinta-feira, mas ela não foi localizada e passou a ser considerada foragida. A reportagem não identificou representantes de defesa da suspeita.
"Paloma seria a pessoa para interlocução do dinheiro e da lavagem de dinheiro da família. Ela utilizou, inclusive, contas dela e de laranjas, por isso o indiciamento ao crime organizado e lavagem de dinheiro", detalha o promotor.
Segundo a Promotoria, o modus de agir era repetitivo e funcionava logo após Paloma realizar visitas ao pai no presídio federal, repassando determinações recebidas, orientando a divisão e a transferência dos valores provenientes de uma transportadora montada pela família para facilitar os negócios ilícitos, segundo a investigação.
Deolane esteve perto de ser presa pela Interpol enquanto estava na Itália, mas teria antecipado seu retorno. Ela acabou detida em sua casa, em Barueri, na Grande São Paulo.
Em audiência de custódia nesta quinta-feira, ela chorou ao afirmar que foi presa "no exercício da profissão".
Ela não informou na audiência quem seria o seu cliente, e o relatório da polícia não menciona o assunto objetivamente.
Em entrevista em 2022 ao UOL, a influenciadora tinha afirmado defender pessoas, e não facções, ao comentar sua atuação na área criminal. Ela destacou que, como advogada criminalista, atendia clientes independente das acusações e tinha preferência por casos de grande repercussão.
A defesa argumentou que Deolane é mãe de uma criança de 9 anos e citou entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a substituição da prisão preventiva por domiciliar em casos de mulheres com filhos menores quando os crimes investigados não envolvem violência ou grave ameaça.
A representante do Ministério Público afirmou, por sua vez, que a audiência de custódia não teria competência para revisar os fundamentos da decisão que decretou a prisão preventiva, defendendo apenas a homologação da medida.
Em nota, a defesa afirma que Deolane é inocente. O advogado Rogério Nunes, que também a representa, disse que os fatos "serão devidamente esclarecidos em momento oportuno".
"Consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário", acrescenta.
Marcola está desde 2019 em uma prisão federal de segurança máxima em Brasília. "Tudo o que você conversa é monitorado por áudio e vídeo. Essa conversa é, inclusive, monitorada de forma virtual pelo setor de inteligência", disse Ferullo.
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