A crise causada pela revelação da relação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, reacendeu o racha entre o grupo do pré-candidato à Presidência e o entorno da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Pessoas próximas à esposa de Jair Bolsonaro (PL) relatam descontentamento e adotam uma postura de distanciamento do filho 01 do ex-presidente.
Segundo lideranças do PL ouvidas pela Folha sob reserva, o estouro da crise do Master fez com que a bandeira branca hasteada por Flávio e Michelle fosse novamente recolhida. A ex-primeira-dama era vista como presidenciável, mas foi rifada pelo marido, que preferiu lançar o próprio filho ao Palácio do Planalto.
Nesta semana, Michelle foi a um evento de lançamento da pré-campanha da doceira Maria Amélia para a vaga de deputada federal pelo Distrito Federal. Ao ser questionada sobre a crise do Master, ela não defendeu Flávio.
"Não estou me metendo nisso, não. Tenho que cuidar do meu marido", respondeu. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A ex-primeira-dama tem se dedicado aos cuidados do ex-presidente, que voltou para casa por questões de saúde. "O Flávio você tem que perguntar para ele", completou, ao ser questionada sobre o assunto.
Michelle tem exercido influência nos caminhos do partido no DF. Ela é pré-candidata ao Senado e tem fortalecido um núcleo duro no seu entorno, mas apoia também candidaturas esporádicas em outros estados.
A crise do Master abalou a pré-candidatura de Flávio. Foram publicados áudios e mensagens nos quais o senador pede dinheiro a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", uma espécie de biografia para contar a história de como Jair Bolsonaro chegou ao poder.
Dias depois, foi revelado um encontro de Flávio com Vorcaro na casa do então dono do Master, pouco depois da primeira prisão do ex-banqueiro. O senador relatou que foi ao encontro do empresário para finalizar a relação com o investidor do filme.
Michelle e outros aliados de Flávio, principalmente aqueles de fora do PL, têm adotado cautela e distanciamento do senador. O temor é que novas revelações sejam feitas sobre sua relação com Vorcaro. Diante da crise de confiança, uma ala minoritária acreditou quando o parlamentar afirmou, novamente, que não haveria mais nada a ser revelado sobre o assunto.
Na primeira pesquisa Datafolha publicada após o escândalo, nesta sexta-feira (22), o presidente Lula ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre Flávio Bolsonaro, na simulação de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival.
A pré-campanha de Flávio minimizou a queda nas intenções de voto, apontando que o resultado foi melhor que o esperado e que Lula no segundo turno oscilou para cima, mas dentro da margem de erro.
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