O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), reconsiderou decisão anterior e negou visita do conselheiro do presidente americano Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O magistrado considerou a manifestação do ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, encaminhada à corte. O ministro afirmou que a visita poderia configurar "indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro".
O americano chegou a ter o pedido de visita a Bolsonaro autorizado por Moraes, mas a defesa do ex-presidente requisitou que a data fosse alterada.
Ainda, que não havia, até quarta, qualquer agenda diplomática registrada no Ministério das Relações Exteriores envolvendo Darren Beattie e que o pedido de visita ao ex-presidente não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado.
Moraes afirma, então, que a realização da visita de Beattie a Bolsonaro "não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido".
Darren Beattie é crítico do governo Lula e de Moraes. Ele já chamou o ministro de "principal arquiteto do complexo de censura e perseguição" contra Bolsonaro. Além disso, recebeu agradecimentos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) após as sanções da Lei Magnitsky impostas ao ministro.
O conselheiro de Trump estará em São Paulo e em Brasília para entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro, segundo apurou a Folha de S.Paulo, e deve se encontrar com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Beattie também vai tratar de decisões judiciais que determinaram o bloqueio de perfis em redes sociais no âmbito dos inquéritos sobre "fake news" e milícias digitais, que tramitam no Supremo sob a relatoria de Moraes.
Comentários: