"Eu me fiz de morta. Realmente, me fiz de morta", contou a estudante Ana Clara Oliveira, 21, sobre como escapou da morte, em um ataque feito pelo cunhado a mando do namorado dela.
A declaração foi dada ao Fantástico, da TV Globo.
A tentativa de feminicídio ocorreu em 1º de maio, na cidade de Quixeramobim, no interior do Ceará. Ela teve as duas mãos amputadas pelo cunhado, que usava uma foice.
"A felicidade é enorme que eu estou conseguindo mexer os meus dedos. É um sentimento de gratidão", comemorou.
Ana Clara contou que ela e Ronivaldo Rocha dos Santos, 40, estavam juntos havia dois anos.
"No início, ele não demonstrava que era essa pessoa agressiva, mas, com o passar do tempo, ele começou a ser aquela pessoa agressiva. Ultimamente, estavam existindo confusões frequentes, no meio da rua, em restaurante, por ciúmes, [ele ficou] uma pessoa altamente ciumenta", afirmou à reportagem.
Imagens de câmeras de monitoramento mostraram quando Ronivaldo e Ana Clara discutiram na frente da casa onde viviam. Ela disse que ele não entraria na residência.
Ela admitiu que jogou uma pedra que quebrou o para-brisa do veículo dele.
A estudante está passando por sessões de fisioterapia e já consegue mexer os dedos.
Não há previsão de alta do hospital, mas a equipe médica afirma estar otimista com a recuperação.
Ana Clara disse que quer ajudar outras mulheres vítimas de violência.
"Eu escondi muitas vezes. Que as mulheres que hoje passam por isso saiam. P rocurem uma ajuda psiquiátrica, psicológica. Eu vou estar aqui para ajudar. Eu sou um testemunho muito lindo e que quer levar isso em frente", disse.
A pasta não disse se eles constituíram advogados. A Folha não conseguiu identificar quem é o responsável pela defesa dos irmãos.
O TJCE (Tribunal de Justiça do Ceará) afirmou que a Justiça aceitou denúncia do Ministério Público contra os irmãos, que se tornaram réus. A 1ª Vara de Quixeramobim recebeu a denúncia, na quinta-feira (14), e determinou a citação dos acusados para responderem à acusação por escrito.
Os dois acusados foram transferidos para uma unidade prisional em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.
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