A Sasazaki, uma das empresas mais tradicionais da história industrial de Marília, interrompeu a produção e demitiu os funcionários que ainda permaneciam em seu quadro. O movimento ocorreu na sexta-feira (25) e foi confirmado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Marília e Região. A empresa, fundada em 1943, chega a este momento depois de anos de dificuldades financeiras, sucessivas reduções no quadro de trabalhadores e uma recuperação judicial iniciada em 2024.
A informação foi publicada inicialmente pelo Marília Notícia, que informou que aproximadamente 60 trabalhadores ainda estavam vinculados à empresa no momento da paralisação. O portal ressaltou, porém, que a Sasazaki não havia confirmado oficialmente que a interrupção representa o encerramento definitivo das atividades. Procurada pela reportagem, a empresa não havia se manifestado até a publicação.
Já o Blog do Rodrigo, em reportagem assinada por Rodrigo Viudes, tratou o episódio como o fechamento da fábrica e relatou que os funcionários foram chamados para uma reunião na manhã de sexta-feira, quando receberam o comunicado sobre as demissões e o encerramento das operações. Segundo o blog, os direitos trabalhistas deverão ser pagos em 24 parcelas.
De lamparinas a portas e janelas
A trajetória da Sasazaki começou durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo o levantamento histórico publicado pelo Blog do Rodrigo, os irmãos Kosaku e Yusaburo Sasazaki e o amigo Kyomassa Shibuya começaram, em 1943, a fabricar artesanalmente lamparinas para sustentar suas famílias.
A empresa passou posteriormente a produzir equipamentos e máquinas agrícolas, acompanhando a expansão da agricultura na região. A mudança de rumo ocorreu na década de 1970, quando uma forte geada afetou a produção de café e levou a companhia a buscar novos mercados.
Em 1975, a Sasazaki iniciou a produção de esquadrias e, no ano seguinte, colocou suas primeiras portas no mercado. A atividade se transformaria no principal negócio da companhia.
O crescimento levou a empresa a deixar os antigos barracões da avenida Brasil e transferir a produção, em 1996, para uma nova unidade no Distrito Industrial de Marília. A divisão de esquadrias de alumínio foi criada no ano seguinte.
Crise começou antes do fechamento
O atual desfecho é resultado de uma crise que vinha se aprofundando havia vários anos. Em 2019, quando ainda empregava aproximadamente 600 pessoas, a Sasazaki anunciou a demissão de cerca de 200 trabalhadores. Na época, segundo reportagem do Visão Notícias, a empresa justificou o corte pela redução do volume de vendas e pela necessidade de adequar sua estrutura ao cenário econômico.
Em outubro daquele ano, cerca de 200 trabalhadores aguardavam o pagamento de salários atrasados, conforme reportagem publicada pelo O Dia de Marília. Na ocasião, a empresa informou ao jornal que enfrentava dificuldades financeiras e buscava alternativas para regularizar os pagamentos.
Em janeiro de 2024, o Grupo Sasazaki ingressou com pedido de recuperação judicial. A dívida declarada naquele momento era de aproximadamente R$ 35,16 milhões, incluindo cerca de R$ 6,2 milhões em passivos trabalhistas, segundo informações divulgadas na época.
Quadro de funcionários encolheu
O Jornal do Povo de Marília informou que a empresa havia reduzido significativamente seu quadro nos últimos anos e enfrentado atrasos de pagamentos e movimentos de paralisação. A publicação de sábado (26) relatou que os funcionários receberam aviso de demissão em massa e que o setor de Recursos Humanos deveria iniciar os procedimentos de rescisão a partir de terça-feira (29).
O Jornal do Ônibus Marília também noticiou o encerramento das atividades e associou o episódio à perda de uma das referências industriais da cidade. A publicação relembrou outras empresas que deixaram Marília ao longo das últimas décadas e relacionou o fechamento da Sasazaki a um processo mais amplo de transformação do parque industrial do município.
Uma marca que atravessou gerações
O Blog do Rodrigo recuperou essa trajetória ao comparar os primeiros produtos da companhia, como lamparinas e equipamentos agrícolas, com as últimas esquadrias produzidas antes da paralisação.
A dimensão simbólica também aparece na reportagem do Jornal do Ônibus Marília, que classificou o episódio como a perda de uma referência empresarial construída ao longo de mais de oito décadas.
Apesar de parte da imprensa local já tratar o episódio como o fim da Sasazaki, há uma diferença importante entre as reportagens. O Marília Notícia registra que a empresa não confirmou oficialmente o encerramento definitivo e que, até a publicação de sua reportagem, não havia respondido aos questionamentos enviados pelo portal.
O que está confirmado pelo sindicato e pelas reportagens locais é que a produção foi paralisada e os funcionários remanescentes foram demitidos.
A eventual retomada da produção, portanto, dependerá dos próximos movimentos da empresa e do processo de recuperação judicial. Se confirmado como definitivo, o encerramento colocará fim a uma trajetória de 83 anos, iniciada com a fabricação artesanal de lamparinas e que levou a empresa a se tornar uma das principais referências brasileiras em portas e janelas de aço e alumínio.
Para Marília, ficará também a marca de uma indústria que atravessou gerações de trabalhadores e acompanhou diferentes ciclos da economia local — do algodão e do café à industrialização, da expansão do setor de construção civil à crise que, décadas depois, interrompeu sua produção.
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